Bases com tropas americanas no Iraque são atacadas com foguetes
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Bases com tropas americanas no Iraque são atacadas com foguetes

Pelo menos nove foguetes atingiram a base de Ain Al Assad, no oeste do país

Por
AFP e AE

TV estatal iraniana divulgou imagens de supostos disparos


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Mais de uma dúzia de foguetes foram disparados na noite desta terça-feira na base aérea de Ain al Assad, no Oeste do Iraque, onde estão estacionadas tropas dos Estados Unidos, disse à AFP uma fonte de segurança. O assistente de Defesa dos Estados Unidos, Jonathan Hoffman divulgou nota oficial sobre o ataque iraniano. De acordo com o Pentágono, os alvos foram duas bases em território iraquiano: Al-Assad e Irbil. Conforme o departamento de Defesa, todas as salvaguardas foram tomadas para evitar perdas de pessoal, com as bases funcionando em alerta máximo.

O ataque ocorre após grupos armados pró-Irã prometerem unir forças para responder ao ataque de um drone americano que na sexta-feira matou o general iraniano Qasem Soleimani e o líder militar iraquiano Abu Mahdi al Muhandis em Bagdá.

Segundo a TV estatal iraniana, os Guardiões da Revolução "confirmaram o ataque a uma base no Iraque com dezenas de mísseis", e ameaçaram com "respostas ainda mais devastadoras" em caso de resposta americana. A Casa Branca revelou que o presidente americano, Donald Trump, foi informado do ataque contra a base de Ain al Assad e acompanha a situação de perto. "Estamos a par dos ataques a instalações dos Estados Unidos no Iraque. O presidente foi informado e está monitorando de perto a situação e consultando sua equipe de segurança nacional", informou a porta-voz Stephanie Grisham.

O jornalista da Forbes, Mark Hughes, divulgou que pelo menos 30 mísseis desembarcaram no território. A agência de notícias iraniana Fars News publicou o vídeo abaixo, que mostraria o lançamento de um foguete do país rumo à base. A base foi visitada pelo presidente americano, Donald Trump, em 2018. Segundo uma agência local de notícias, também teria ocorrido um ataque aéreo na cidade de Erbil, capital da província iraquiana do Curdistão.

 

Analistas afirmam que uma ofensiva com mísseis balísticos representa uma escalada grave na crise. Os artefatos teriam um poder de destruição muito maior do que foguetes leves. Imediatamente, os mercados reagiram. O preço do petróleo disparou. O tipo WTI, negociado em Nova York, subiu 4,27% na primeira hora após a notícia do ataque, chegando a US$ 65,38.

Alvos escolhidos

Antes do ataque às bases, a agência de notícias iraniana Tasnim havia informado que as forças militares do Irã estavam preparadas para usar mísseis de médio e longo alcances para atacar bases americanas no Oriente Médio. O governo em Teerã teria "13 cenários" possíveis para responder à morte de Soleimani, assassinado na semana passada em um ataque com drone ordenado pelos EUA.

Segundo Ali Shamkhani, secretário do Conselho de Segurança Nacional do Irã, mesmo as opções "mais limitadas" seriam um "pesadelo histórico" para os EUA, informou a agência. "As 27 bases americanas mais próximas da fronteira do Irã já estão em alerta. Eles sabem que é provável que a resposta inclua mísseis de médio e longo alcances", afirmou Shamkhani. "Eu posso apenas prometer que a vingança não deverá acontecer em apenas uma operação."

As bases dos EUA no Kuwait, Iraque, Jordânia e Arábia Saudita já estão em vigilância máxima. Nas próximas 48 horas, Irã e milícias pró-iranianas do Iraque farão uma reunião para decidir qual será a estratégia adotada contra os EUA. Na segunda-feira, durante o funeral de Soleimani, o general Hossein Salami, seu substituto à frente da Força Quds, unidade de elite da Guarda Revolucionária, afirmou que o Exército iraniano incendiaria os lugares que os americanos amam. "Vamos nos vingar. Vamos incendiar os lugares que eles (os EUA) mais apreciam", disse Salami. "Será uma vingança dura, forte, decisiva e final, que fará com que eles se arrependam."

Outros militares iranianos também discursaram ontem durante a cerimônia fúnebre de Soleimani - antes dos ataques às bases no Iraque - e garantiram que os mísseis do Irã podem atingir qualquer alvo dos EUA que esteja a até 5 mil quilômetros. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohamed Javad Zarif, afirmou ontem que a resposta iraniana aos EUA seria "proporcional" ao ataque sofrido pelo país. "Este (a morte de Soleimani) é um ato de agressão contra o Irã, um ataque armado, e nós responderemos. Mas responderemos proporcionalmente e não desproporcionalmente. Não somos sem lei, como o presidente (dos EUA, Donald) Trump", disse Zarif.

O secretario de Defesa dos EUA, Mark Esper, declarou ontem que o governo americano não quer uma guerra com o Irã. "Não queremos começar uma guerra, mas estamos preparados para acabar uma", disse Esper, em entrevista à rede de TV CNN. Esper confirmou que entrou em contato com o governo do Iraque para saber mais detalhes do ataque iraniano de ontem.