Boris Johnson denuncia situação "grave" no Reino Unido e não descarta medidas mais restritivas

Boris Johnson denuncia situação "grave" no Reino Unido e não descarta medidas mais restritivas

Ele espera que a situação só vai melhorar a partir do segundo trimestre, com a aceleração no programa de vacinação

AE e AFP

Contudo, descartou novo lockdown nacional para evitar o que chama de "consequências colossais"

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O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, afirmou que a situação do Reino Unido é "grave" em relação à pandemia e não descartou um acirramento nas medidas de restrição social em algumas partes do país nas próximas semanas, disse em entrevista à British Broadcasting Company (BBC). Ele espera que a situação só vai melhorar a partir do segundo trimestre, com a aceleração no programa de vacinação. "Obviamente há um enorme leque de medidas mais restritivas que nós temos que considerar, mas não vou especular sobre o que pode ou não acontecer agora", falou, descartando um novo lockdown nacional para evitar o que ele chama de "consequências colossais".

Johnson apontou o País de Gales, que paralisou as atividades econômicas em setembro, o que não impediu o avanço do vírus no curto prazo. Já o Reino Unido é um dos países mais afetados pela pandemia na Europa, com 74.570 mortes. Em 24 horas, mais 57.725 pessoas foram contaminadas, de acordo com os últimos dados oficiais divulgados no sábado. "É possível que tenhamos que fazer coisas nas próximas semanas que serão mais difíceis em várias partes do país", disse Johnson. Ele acrescentou que o fechamento de escolas, uma medida tomada no final de março na primeira onda da pandemia, "é uma dessas coisas". 

O premiê disse que é preciso reconhecer "o impacto da nova variante do vírus". No momento, 75% da população está reconfinada, e a volta presencial às aulas foi adiada em alguns casos, em particular em Londres e no sudeste da Inglaterra, bastante afetados pelo aumento de infecções. Ele espera uma aceleração no programa de vacinação a partir desta semana: na segunda-feira, a vacina da Universidade de Oxford e do grupo AstraZeneca será administrada no Reino Unido. No total, 530.000 doses estarão disponíveis a partir de segunda-feira, e dezenas de milhões, até o final de março. O país encomendou 100 milhões de doses. 

Contudo, não deu detalhes de como chegar a meta de vacinar dois milhões de pessoas semanalmente, o necessário para controlar a pandemia. "Estamos trabalhando sem parar e garanto que vamos vacinar dezenas de milhões de pessoas nos próximos três meses", afirmou. Mais de um milhão de pessoas já receberam uma dose da vacina da aliança da americana Pfizer com a alemã BioNtech. Esta campanha de vacinação começou em 8 de dezembro. Para ambos os imunizantes, são necessárias duas doses. 

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Reino Unido pós-Brexit

Johnson disse também que pretende continuar como primeiro-ministro com o fim do processo do Brexit e defendeu que a saída do Reino Unido da União Europeia vai trazer mais benefícios do que prejuízos à economia do país no longo prazo. "Podemos criar uma série de subsídios para reduzir o impacto das novas regras locais", comentou, quando questionado sobre os programas de transição que foram criados para empresas britânicas adaptarem suas regulações.

O primeiro-ministro do Reino Unido também se posicionou contra a realização de um novo referendo sobre a independência da Escócia em meio às críticas dos habitantes do território sobre a saída da União Europeia. "Acho que os referendos precisam ser uma situação ' generacional', tivemos um em 1979 e outro em 2014 que acabaram por decidir manter a Escócia na União, então está muito cedo para outro pleito", disse.


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