Bruxelas e Londres admitem divergências, na esteira das negociações pós-Brexit

Bruxelas e Londres admitem divergências, na esteira das negociações pós-Brexit

Acordo entre a UE e o Reino Unido sobre sua relação pós-Brexit tem prazo para ser fechado ainda em outubro

AFP

Boris Johnson declarou que a chegada a um acordo "depende dos nossos amigos e parceiros europeus"

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A União Europeia e o Reino Unido admitiram nesta sexta-feira a existência de graves divergências que ainda obstruem o caminho para um acordo que defina as relações pós-Brexit, em meio a uma dramática corrida contra o relógio para encontrar um terreno comum.

Em Bruxelas, negociadores das duas partes fecharam nesta sexta-feira a nona rodada de negociações para definir o acordo. No final da jornada, as duas partes admitiram existir grandes diferenças entre os envolvidos.

Em nota oficial, o principal negociador europeu, Michel Barnier, disse que ainda havia "divergências persistentes e graves em questões da maior importância para a UE", embora tenham ocorrido alguns progressos. "Para chegar a um acordo, essas divergências devem ser superadas imperativamente nas próximas semanas", ressaltou.

De acordo com Barnier, um acordo exigirá entendimentos sobre "garantias sólidas e a longo prazo sobre concorrência aberta e justa", uma estrutura de governança eficiente e um acordo "estável e sustentável" sobre direitos de pesca.

Por sua vez, David Frost, seu homólogo britânico, afirmou em um comunicado que as diferenças ainda não foram superadas. "No que diz respeito aos direitos de pesca, o abismo entre nós é, infelizmente, muito grande e sem mais realismo e flexibilidade por parte da UE pode não ser possível resolvê-lo", ressaltou Frost, responsável pelas negociações britânicas.

Para resumir a situação, Frost acrescentou estar "preocupado" com o pouco tempo que resta "para resolver essas questões" antes da reunião do Conselho Europeu marcada para o próximo 15 de outubro, em Bruxelas.

Em entrevista à BBC, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson declarou que a chegada a um acordo "depende dos nossos amigos e parceiros europeus". Para tal, segundo Johnson, será necessário que eles mostrem um "senso em comum", e destacou existir "todas as possibilidades de se chegar a um acordo" apesar das diferenças.

Contato de alto nível

Qualquer acordo entre a UE e o Reino Unido sobre sua relação pós-Brexit deveria ser fechado ainda em outubro, a tempo de ser ratificado por todas as partes. O próprio governo britânico fixou o prazo até 15 de outubro, data da cúpula do Conselho Europeu, para o anúncio do acordo.

Na tentativa de impulsionar as negociações politicamente, Johnson e a presidente da Comissão Europeia farão neste sábado uma videoconferência dedicada ao pós-Brexit. Formalmente, a UE e a própria Von der Leyen anunciaram tratar-se de um contato para "fazer um balanço" das negociações e "compartilhar pontos de vista".

No entanto, a chefe do executivo europeu expressou sua convicção quanto a necessidade de "intensificar" as negociações.

A UE, comentou a presidente da Comissão Europeia, "está interessada num acordo porque acreditamos que é importante entender-se com um vizinho, mas não a qualquer preço", acrescentando que "avançamos em muitos campos, mas as questões mais difíceis continuam em aberto".

Por sua vez, a chanceler alemã Angela Merkel disse nesta sexta-feira em Bruxelas que "os próximos dias" serão decisivos para saber o destino das negociações. "As negociações estão entrando em uma fase decisiva e nos próximos dias ficará claro se estamos avançando ou não. Enquanto as negociações estiverem em andamento, estou otimista", afirmou.

Na quinta-feira, a UE anunciou uma ação legal contra Londres por causa de um projeto de lei que altera o acordo sobre a saída do Reino Unido do bloco.

A UE deu o primeiro passo, ao enviar uma "notificação formal" a Londres, no início de um "procedimento de infração". O Executivo europeu considera que o Reino Unido violou o compromisso de aplicar integralmente o Tratado de Retirada, o regulamento que define a modalidade do Brexit.

O Reino Unido se retirou da UE em 31 de janeiro deste ano, mas continuará aplicando as regras de comércio europeias até 31 de dezembro, no chamado período de transição.


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