Caçada a Al Bagdadi incluiu teste de DNA em suas roupas íntimas
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Caçada a Al Bagdadi incluiu teste de DNA em suas roupas íntimas

Líder do Estado Islâmico foi morto durante operação no último domingo

Por
AFP

Líder do Estado Islâmico foi morto durante operação no último domingo

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A operação que resultou na morte de Abu Bakr Al Bagdadi, líder do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) foi o capítulo final de meses de um intenso trabalho de Inteligência, em que agentes chegaram, inclusive, a roubar a roupa íntima daquele que chegou a ser um dos homens mais procurados do mundo.

A caçada a Bagdadi, chefe de um grupo que desatou uma violência sanguinária contra civis em todo o Oriente Médio e além, foi uma das maiores prioridades dos países ocidentais, mas viu-se complicada pelas divisões na Síria, devastada pela guerra. As forças especiais dos Estados Unidos que encabeçaram a operação no fim de semana se basearam em dados de Inteligência de combatentes curdos, que semanas antes haviam sido abandonados pelo presidente americano, Donald Trump, e obrigados a deixar suas posições enquanto a Turquia tentava esmagá-los por seus vínculos com os separatistas turcos.

Polat Can, assessor principal das Forças Democráticas Sírias (FDS), lideradas pelos curdos, disse que os combatentes se uniram à CIA em 15 de maio depois que Bagdadi foi visto na província síria de Idlib. "Nossa própria fonte, que tinha conseguido se comunicar com Bagdadi, trouxe a roupa íntima de Bagdadi para fazer um teste de DNA e ter (100% de) certeza de que a pessoa em questão era o próprio", escreveu Can no Twitter.

Em entrevista à emissora americana NBC, o comandante das FDS, general Mazlum Abdi, disse que os combatentes se aproximaram de um assessor de segurança do círculo íntimo de Bagdadi, que lhes deu detalhes da configuração de sua casa, como planos da planta, túneis e número de guardas. O informante roubou a roupa íntima de Bagdadi há três meses e depois conseguiu uma amostra de sangue, noticiou a NBC News.

Os Estados Unidos tinham arquivadas amostras de DNA de Bagdadi, um sunita que tinha sido preso pelas forças americanas em 2004 na cidade de Fallujah antes de chegar ao comando do EI, também conhecido como Isis.

Localização surpresa

Assim como Osama bin Laden, líder da rede Al-Qaeda, morto em 2011 em uma operação das forças americanas na cidade paquistanesa de Abbottabad, Bagdadi desafiou a sabedoria convencional sobre seu esconderijo. As FDS disseram que ele tinha se mudado da cidade síria de Deir ez-Zor, a região desértica onde o EI resistiu pela última vez a um ataque liderado pelos curdos, à aldeia Barisha, na província de Idlib, ainda um campo de batalha importante.

Em Idlib, a situação é complexa: Hayat Tahrir al Sham, ex-braço sírio da Al-Qaeda e adversário do EI controla em grande parte a região, onde a Turquia mantém tropas e o regime do presidente sírio, Bashar Al Assad, apoiado pela Rússia, ataca pelo ar. Can disse que a incursão turca este mês no norte da Síria, que foi possível graças à controversa decisão de Trump de retirar 1.000 soldados americanos da área, atrasou a operação contra Bagdadi.

Um funcionário do Departamento de Estado, que falou sob a condição de ter sua identidade preservada, disse que os Estados Unidos, conscientes da "situação caótica", decidiu que "era importante" levar adiante a operação "agora". Trump, gabando-se de sua atuação na operação, disse que as forças americanas informaram a Rússia que estavam entrando e disseram: "achamos que vocês vão ficar muito felizes".

Sem confirmar a morte de Bagdadi ou a narrativa exuberante de Trump, a Rússia informou ter o registro de aviões e drones americanos na área onde ocorreu a operação. A Síria, no entanto, não foi informada: o funcionário do Departamento de Estado disse que Washington não viu necessidade de contatar o regime de Assad.

Encurralado no túnel

O general americano Mark Milley, chefe de estado-maior conjunto, disse que os Estados Unidos coordenaram a operação com outros exércitos, através dos canais estabelecidos, para evitar incidentes. As forças americanas entraram no complexo onde estava Bagdadi de helicóptero, neutralizaram rapidamente seus efetivos em um tiroteio e depois asseguraram o edifício para proteger os civis.

Bagdadi correu por um túnel e, consciente de que estava encurralado, detonou um colete de explosivos que usava, morrendo junto com três filhos que estavam com ele, disse Milley. As forças americanas dispararam mísseis e bombas para detonar o complexo quando saíram e jogaram o corpo despedaçado de Bagdadi no mar, informaram as autoridades.

Trump disse que Bagdadi estava "gemendo, gritando e chorando" ao se confrontar com a morte certa. Milley não confirmou os detalhes, mas disse que Trump pode ter ouvido a versão diretamente dos membros da unidade. Nenhum deles se feriu. Trump descreveu Bagdadi como um "covarde" e um "perdedor" e disse que "morreu como um cão".

Sobre os cães de verdade, um integrante da "Unidade K-9" americano que foi atrás de Bagdadi ficou ferido, mas não morreu. Milley agradeceu ao cachorro por seu "trabalho extraordinário".