Catalães votam referendo neste domingo com ampla presença policial
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Catalães votam referendo neste domingo com ampla presença policial

Polícia catalã solicitou ajuda às forças do estado em 233 postos de votação

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Agência Brasil

Catalães votam referendo neste domingo com ampla presença policial

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* Com informações da AFP 

A região da Catalunha vota neste domingo em referendo independentista considerado ilegal pelo governo da Espanha. A consulta separatista convocada pelo governo autônomo catalão em setembro foi suspensa imediatamente pelo Tribunal Constitucional (TC) e diferentes tribunais ordenaram medidas para que as forças de segurança fechem os locais de votação e confisque urnas e cédulas eleitorais.

Isso levou as autoridades catalãs a modificar as normas que tinha emitido anteriormente, de modo que um eleitor pode votar em qualquer colégio da região e não ao qual tinha sido atribuído, com cédulas impressas em casa e sem envelope.

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Novas normas que para o conselheiro catalão de presidência, Jordi Turull, configuram processo eleitoral "com garantias" legais, enquanto fontes do governo espanhol asseguravam que os separatistas "liquidaram qualquer vestígio de respeitabilidade democrática".

Em alguns casos, a intervenção de policiais espanhóis e guardas civis gerou momentos de tensão com os manifestantes independentistas e, no centro de Barcelona, houve ações dos policiais contra pessoas que fechavam as ruas. Em outro caso, foram jogados objetos contra os agentes.

As forças de segurança, que nesse sábado bloquearam o centro de informática catalão, anularam hoje o novo sistema anunciado de manhã pelo conselheiro Turull. Com isso é difícil precisar quantas pessoas estão participando da consulta. O Ministério do Interior apontou que com essa falta de garantia, uma mesma pessoa poderia votar várias vezes em diferentes lugares.

Governo espanhol pede ao Executivo catalão fim da "farsa" do referendo

O governo espanhol pediu às autoridades separatistas da região da Catalunha que ponham fim à "farsa" do referendo de autodeterminação. "Continuar esta farsa não tem qualquer sentido, não leva a lugar algum. Deveriam pôr fim a ela imediatamente", disse a vice-presidente do governo espanhol, Soraya Sáenz de Santamaría, em mensagem ao presidente catalão, o separatista Carles Puigdemont, e a toda sua equipe.

"A Generalitat (órgão regional de governo) se comportou com uma absoluta irresponsabilidade, pretendendo que a lei e a Justiça fossem invalidadas na Catalunha e, com elas, a democracia", acrescentou a vice-presidente, que criticou o líder catalão fazendo, inclusive, um paralelo com a ditadura franquista (1939-1975). "Não sei o que viveu em sua vida o senhor Puigdemont, mas a democracia espanhola não funciona assim. Há muito tempo que nos livramos de uma ditadura e de que tivesse um senhor que dizia que sua palavra é lei", completou.

O ministro espanhol do Interior, Juan Ignacio Zoido, já havia pedido a Puigdemont e a sua equipe "que recuassem em sua atitude de uma vez por todas". Em declarações mais cedo, o delegado do governo espanhol na Catalunha, Enric Millo, também pediu às autoridades separatistas que ponham fim à "farsa" do referendo. "O presidente regional da Catalunha, Carles Puigdemont, e sua equipe são os únicos responsáveis por tudo que aconteceu ontem e por tudo que poderá acontecer, se não puserem fim a essa farsa", declarou Millo, em entrevista coletiva.

Millo anunciou que a polícia catalã - os Mossos d'Esquadra - solicitaram ajuda às forças do Estado (a Polícia e a Guarda Civil) em 233 postos de votação. "Um gesto que os honra", afirmou Millo, horas depois de criticar a inação dessa Corporação para impedir a abertura dos colégios eleitorais. A ofensiva policial contra os manifestantes decididos a votar já deixou vários feridos. De acordo com testemunhas, os agentes chegaram a atirar com balas de borracha.

Os serviços de Saúde do governo regional catalão relataram pelo menos 91 feridos, até o momento, nos incidentes ocorridos neste domingo. Um porta-voz dos serviços de Saúde disse que 337 pessoas foram atendidas em hospitais e centros médicos. Entre elas, há 90 feridos confirmados, sendo um gravemente, atingido no olho.