Central nuclear iraniana de Bushehr retoma operações

Central nuclear iraniana de Bushehr retoma operações

Os países vizinhos expressam frequentemente preocupação com a confiabilidade da usina

AFP

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A central nuclear de Bushehr, a única do Irã, retomou suas operações duas semanas após suspendê-las, anunciou nesta segunda-feira (5) seu diretor, em um contexto de cortes de energia em Teerã e em várias cidades do país. "O problema técnico [da central] foi resolvido" e a produção de eletricidade foi retomada desde domingo", declarou Mahmud Jafari, também vice-diretor da Organização Iraniana de Energia Atômica (OIEA), à agência Isna.

Bushehr é um porto do Golfo que está mais próximo das capitais de vários monarquias da península Arábica do que de Teerã, razão pela qual esta usina, construída em área de inúmeros terremotos, preocupa esses países.

Na noite de 20 de junho, a OIEA anunciou a a paralisação temporária da usina e seu desligamento da rede elétrica nacional, alegando uma "falha técnica", mas sem especificar sua natureza. Dois dias depois, a entidade reportou um "problema técnico observado no gerador" da unidade e prometeu resolvê-lo "o mais rápido possível".

Por sua vez, o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Said Khatibzdeh, disse que a paralisação foi programada "por alguns dias devido a uma falha técnica ou por razões técnicas", descrevendo o incidente como "algo rotineiro no campo das usinas nucleares".

A retomada das operações em Bushehr ocorre em um momento em que a capital, Teerã, e muitas cidades do Irã sofrem com cortes de energia relacionados, entre outros, ao consumo recorde, segundo autoridades.

"Sem precedentes"

O porta-voz da companhia nacional de energia elétrica, citado pela agência oficial Irna, pediu desculpas nesta segunda-feira pelos cortes do dia anterior. Mostafa Rajabi-Machhadi alertou que o consumo de eletricidade chegou a 65.900 MW, o que, segundo ele, "não tem precedentes no setor elétrico iraniano". Enquanto a "produção de eletricidade de usinas hidrelétricas e térmicas" no Irã "não ultrapassa 55.000 MW no total", acrescentou.

De acordo com um relatório recente do governo, os iranianos podem enfrentar restrições no fornecimento de água nos próximos meses devido à falta de chuvas nos últimos meses. A usina Bushehr, com reator de 1.000 MW, foi construída pela Rússia e foi entregue oficialmente em setembro de 2013, após anos de atraso.

Em 29 de março, Jafari havia declarado que a OIEA estava com problemas para "fornecer certos produtos ou serviços necessários" para que a usina funcionasse adequadamente devido às sanções americanas que isolam o Irã do sistema financeiro internacional.

Acordo internacional

A paralisação de Bushehr pode estar relacionada às negociações em andamento desde abril em Viena para salvar o acordo internacional de 2015 sobre o programa nuclear do Irã, incluindo o retorno dos Estados Unidos ao pacto. O acordo ofereceu a Teerã alívio das sanções ocidentais e da ONU em troca de seu compromisso de não se equipar com armas atômicas e de reduzir drasticamente seu programa nuclear, sob estrito controle da ONU.

Mas o pacto foi prejudicado em 2018 pela decisão do ex-presidente Donald Trump de se retirar e restabelecer as sanções dos Estados Unidos. Em resposta às sanções, o Irã abandonou a maioria dos compromissos que havia aceitado no acordo.

O Irã, localizado na intersecção de várias placas tectônicas e atravessado por várias falhas geológicas, também é uma área de grande atividade sísmica.

Os países árabes vizinhos do Golfo expressam frequentemente preocupação com a confiabilidade da usina de Bushehr e o risco de vazamento radioativo no caso de um grande terremoto.

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