Chelsea Manning é solta após 62 dias presa por se recusar a depor sobre o WikiLeaks
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Chelsea Manning é solta após 62 dias presa por se recusar a depor sobre o WikiLeaks

Libertação foi motivada pela expiração dos 62 dias de detenção determinados pelo grande júri

Por
Correio do Povo e AFP

Ex-analista do exército deve se depor no dia 16 de maio, sob o risco de ir presa novamente

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A ex-analista de inteligência do Exército dos Estados Unidos Chelsea Manning foi liberada da custódia federal depois de passar dois meses presa por se recusar a testemunhar sobre a revelação de segredos militares e diplomáticos ao WikiLeaks em 2010, do qual foi fonte. A libertação foi motivada pela expiração dos 62 dias de detenção determinados pelo grande júri, explicou sua equipe jurídica. Contudo, os advogados indicaram que ela pode retornar à cadeia em breve, pois indicaram que ela se recusaria novamente a testemunhar no dia 16 de maio, uma intimação recebida enquanto estava detida.

“Infelizmente, antes mesmo da libertação, Chelsea recebeu uma nova intimação. Isto significa que deve se apresentar a um grande júri diferente na próxima quinta-feira 16 de maio. Ela continuará se recusando a responder perguntas, e usará todas as defesas legais disponíveis para provar ao juiz distrital que ela tem justa causa para sua recusa em dar testemunho", disse sua equipe em um comunicado.

Ao se recusar a testemunhar em março, Manning alegou que já havia fornecido ao governo "um extenso testemunho" durante sua acusação, em 2013, quando foi condenada a 35 anos de prisão em uma corte marcial pela divulgação de 750 mil documentos diplomáticos e informações militares, o que provocou um grande embaraço para Washington. A sentença foi comutada pelo presidente democrata Barack Obama e ela foi libertada em maio de 2017, depois de passar sete anos na prisão.

"Em solidariedade com muitos ativistas que enfrentam as dificuldades, vou manter meus princípios. Vou esgotar todos os recursos legais disponíveis, disse em nota antes da audiência. Manning pediu formalmente ao tribunal para libertá-la no início deste mês, dizendo que nada me convencerá a depor", de acordo com documentos arquivados no tribunal do Distrito Leste da Virgínia. Seus representantes haviam dito anteriormente que ela era mantida em sua cela por 22 horas por dia, argumentando que tal confinamento solitário ameaçava sua saúde e equivalia à "tortura".