China promete revidar apoio dos EUA a protestos em Hong Kong

China promete revidar apoio dos EUA a protestos em Hong Kong

Congresso norte-americano aprovou resolução favorável a movimento pró-democracia

AFP

Resolução tem potencial de romper negociações entre China e EUA

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A China prometeu nesta quinta-feira uma resposta firme após a aprovação pelo Congresso dos Estados Unidos de uma resolução de apoio às mobilizações pró-democracia em Hong Kong, onde alguns manifestantes radicais permanecem entrincheirados em um campus universitário, cercado há cinco dias pela polícia.

O Congresso dos Estados Unidos aprovou na quarta-feira uma resolução de apoio aos "direitos humanos e à democracia" em Hong Kong e ameaçou suspender o estatuto econômico especial concedido por Washington à ex-colônia britânica.

Hong Kong, território devolvido à soberania chinesa em 1997, é cenário de um grande movimento de protesto desde junho, que passou a exigir reformas democráticas e criticar a interferência de Pequim no território. As manifestações terminaram em várias ocasiões em atos de vandalismo e violência, enquanto cresce a ameaça de uma eventual intervenção do governo da China.

O objetivo do texto aprovado em Washington é "semear o caos ou inclusive destruir Hong Kong", afirmou o ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Yi. "O projeto de lei envia um sinal muito ruim na direção de criminosos que atuam com violência", completou.

Antes de ser efetivo, o texto precisa ser promulgado pelo presidente americano Donald Trump, que a princípio deve aprová-lo, de acordo com uma fonte próxima ao caso. Isto poderia dificultar ou romper as atuais negociações comerciais entre Pequim e Washington, segundo analistas.

A China vai "responder com determinação" à resolução do Congresso dos Estados Unidos, afirmou o porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Geng Shuang. "Condenamos com veemência e nos opomos firmemente à adoção de projetos de lei relacionados com Hong Kong. Ninguém deve subestimar a determinação da China a salvaguardar sua soberania nacional, sua segurança e seus interesses em termos de desenvolvimento", declarou o porta-voz.

A Universidade Politécnica de Hong Kong (PolyU) é cenário de confrontos entre manifestantes e policiais há cinco dias. A presença policial nas proximidades do campus, no entanto, foi claramente reduzida nesta quinta-feira. A situação era consideravelmente mais tranquila. Alguns cartazes advertem as pessoas para que não fumem nas áreas em que estão as caixas com bombas incendiárias, prontas para o uso contra a polícia.

Dos quase mil manifestantes que ocuparam a universidade no início do do protesto, agora restam apenas algumas dezenas. Vários fugiram, driblando os controles policiais ou usando a rede de esgotos. A maioria, no entanto, se rendeu ou foi detida pelas forças de segurança na saída.

Quase 700 pessoas foram detidas pela ocupação da PolyU, informou a polícia. Os distúrbios dos últimos cinco meses afastaram investidores e turistas, o que afeta os pequenos comércios e a economia de Hong Kong, que entrou em recessão. Hong Kong tem um sistema capitalista com liberdade de expressão, ao contrário da China continental, de acordo com o princípio "um país, dois sistemas" estabelecido após a devolução da ex-colônia britânica à soberania chinesa.

Graças ao sistema, o governo dos Estados Unidos concede a este território um estatuto econômico particular, que o protege das tarifas punitivas que Donald Trump impõe aos produtos chineses. Mas o texto do Congresso condiciona a manutenção do privilégio a que o Departamento de Estado valide a cada ano uma situação de respeito aos direitos humanos por parte das autoridades de Hong Kong.

Afetada pela resolução americana, a Bolsa de Hong Kong fechou em queda (-1,57%) nesta quinta-feira. Os operadores temem que a iniciativa do Congresso acabe com os esforços de Pequim e Washington para alcançar um acordo comercial.


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