China revisa números e mortos por novo coronavírus chegam a 1.380
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China revisa números e mortos por novo coronavírus chegam a 1.380

País tem quase 64 mil casos de contágio da doença

Por
AFP

Mais de 120 pessoas morreram na China nas últimas 24 horas por conta do coronavírus

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O balanço da epidemia do novo coronavírus se aproxima de 1,4 mil mortos na China, incluindo seis profissionais da área da saúde, o que comprova os riscos nos hospitais sobrecarregados do gigante asiático. O país registra quase 64 mil casos de contágio, incluindo 1.716 médicos e enfermeiros que trabalham em contato com os pacientes, segundo a Comissão Nacional de Saúde.

O número total de mortos foi revisado pelas autoridades sanitárias da China nesta sexta-feira. A soma das fatalidades divulgada anteriormente era de 1.483, mas o dado foi modificado. A Comissão Nacional de Saúde constatou a existência de "estatísticas duplicadas" na província de Hubei, epicentro da epidemia. Os detalhes do erro, no entanto, não foram revelados.  

A grande maioria (1.102) dos contágios aconteceu na cidade de Wuhan, capital da província de Hubei e berço da epidemia de pneumonia viral COVID-19. O anúncio foi feito uma semana depois da morte, em consequência do vírus, do médico Li Wenliang, que havia alertado as autoridades no início da epidemia.

Na ocasião, ele foi convocado pela polícia, que o acusou de propagar boatos. As autoridades se esforçam para distribuir equipamentos de proteção nos hospitais de Wuhan. Muitos médicos ainda tratam os pacientes sem máscaras, ou trajes de proteção adequados, ou usam várias vezes o mesmo material, que deveria ser trocado com regularidade. Em nível nacional, as autoridades chinesas informaram nesta sexta-feira a ocorrência de 121 mortes no país nas últimas 24 horas, elevando o total de mortos para 1.380.

"Sem demoras"

A China continental concentra 99,9% das mortes registradas no mundo pelo novo coronavírus. Até o momento, apenas Japão, Filipinas e Hong Kong informaram uma morte cada. Depois de felicitar a China por um "trabalho muito profissional" em um primeiro momento, o governo dos Estados Unidos mudou de postura na quinta-feira."Estamos um pouco decepcionados, porque não fomos convidados a participar e também pela falta de transparência por parte dos chineses", disse o conselheiro econômico da Casa Branca, Larry Kudlow.

Kudlow lamentou que Pequim tenha rejeitado as insistentes propostas de Washington de enviar especialistas americanos à China. "Não permitem. Não sei quais são os motivos", comentou. Ao ser questionado sobre o tema, o porta-voz do Ministério chinês das Relações Exteriores, Geng Shuang, afirmou nesta sexta-feira que Pequim tem demonstrado transparência à comunidade internacional desde o início da epidemia.

"A China sempre considerou de maneira positiva e aberta uma cooperação com os Estados Unidos", declarou, antes de recordar que os Departamentos de Saúde dos dois países mantêm uma comunicação estreita e trocam "sem demoras" informações desde o início desta crise.

Novos critérios

As críticas americanas foram feitas depois que a China anunciou na quinta-feira a adoção de novos critérios para a contagem de pessoas infectadas, o que provocou um aumento expressivo do número de contagiados. Agora, os especialistas chineses consideram infectadas as pessoas "diagnosticadas clinicamente" após a observação de radiografias do pulmão, sem a necessidade de aguardar os resultados de testes de laboratório.

Com a mudança de metodologia de contagem, o governo chinês adicionou 15 mil pacientes à lista de infectados na quinta-feira. Nesta sexta-feira, o balanço oficial acrescentou mais 5 mil casos. Os números mostram uma situação mais grave que a informada até então, mas "não representa uma mudança significativa na trajetória da epidemia", disse o coordenador dos programas de emergência na Organização Mundial da Saúde (OMS), Michael Ryan.

O governo chinês mantém toda província de Hubei, com quase 56 milhões de habitantes, em uma gigantesca quarentena há quase um mês. Nessa quinta-feira, a crescente insatisfação da população com a gestão da crise motivou o afastamento dos principais dirigentes do Partido Comunista em Hubei e em Wuhan.

Quarentenas

Em outras regiões do mundo, a epidemia de COVID-19 mantém as autoridades em alerta, com mais de 500 casos confirmados em 30 países. Vários governos proibiram o desembarque de passageiros procedentes da China. Muitas companhias aéreas suspenderam os voos para o país e enfrentam uma redução potencial de entre 4 bilhões de dólares e 5 bilhões de dólares de faturamento, informou a Organização de Aviação Civil Internacional (OACI).

No Vietnã, que tem fronteira com a China, a cidade de Son Loi, de 10 mil habitantes e a 30 quilômetros de Hanói, foi colocada em quarentena após a detecção de seis casos. O principal foco de infecção fora da China é o cruzeiro de luxo "Diamond Princess", que continua em quarentena na costa do Japão, no porto de Yokohama, com 218 casos.

Um primeiro grupo de passageiros não infectados, de 80 anos, ou mais, deixou o navio de cruzeiro nesta sexta-feira para concluir o período de isolamento em estabelecimentos do governo. Ao mesmo tempo, centenas de passageiros de um cruzeiro americano, que foi proibido de atracar em cinco portos asiáticos pelo temor do vírus, foram autorizados a desembarcar nesta sexta-feira no Camboja. Na França, um primeiro grupo de repatriados da China encerrou nesta sexta-feira o período de quarentena em um centro médico de Marselha.