Comissão Europeia se preocupa com adaptação pós-Brexit
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Comissão Europeia se preocupa com adaptação pós-Brexit

Bloco terá até o fim de 2020 para se adaptar a condições pós-separação

Por
AFP

Presidente da comissão expressou preocupação com viabilidade das negociações

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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, expressou preocupação com a viabilidade das negociações sobre a relação entre a União Europeia (UE) e o Reino Unido após o Brexit, que devem ser concluídas ao final de 2020, em uma entrevista publicada nesta sexta-feira.

"Estou muito preocupada com o pouco tempo do qual dispomos", declarou ao jornal econômico francês Les Echos a presidente da Comissão, que assumiu o cargo no início do mês. Uma das tarefas mais urgentes da nova Comissão será fixar com Londres os termos da relação do Reino Unido com a UE após sua saída do espaço comunitário em 31 de janeiro.

"Não se trata apenas de negociar o acordo de livre comércio, e sim de muitos outros temas. Me parece que as duas partes deveriam perguntar seriamente se estas negociações podem acontecer em tão pouco tempo", disse Von der Leyen. "Acredito que seria razoável fazer um balanço na metade do ano e, se necessário, estabelecer uma prorrogação do período de transição", explicou.

No início da semana, o negociador europeu do Brexit, Michel Barnier, admitiu que alcançar um acordo e ratificar a relação pós-Brexit até o fim de 2020, como deseja o primeiro-ministro britânico Boris Johnson, "será um imenso desafio".

Johnson, que tem o caminho livre em seu país para administrar as negociações após a vitória nas eleições legislativas de 12 de dezembro, se nega a pedir uma prorrogação além do prazo atual de 11 meses. Entre os assuntos mais delicados estão os termos do futuro acordo de livre comércio.

Johnson declarou na semana passada que que é possível alcançar um acordo "ambicioso, sem harmonização com as regras da UE, mas (baseado) no controle de nossas próprias leis, com relações estreitas e amistosa". Na entrevista ao Les Echos, Von der Leyen alertou que "se você quer se beneficiar da prosperidade do mercado único, com acesso sem barreiras ou alfândega, deve aceitar os princípios comuns".