Concentração de gases do efeito estufa bateu recorde em 2020, diz ONU

Concentração de gases do efeito estufa bateu recorde em 2020, diz ONU

Organização afirmou que situação na Amazônia envolvendo carbono é preocupante

AFP

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As concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera atingiram um novo recorde no ano passado - disse a Organização Meteorológica Mundial (OMM), nesta segunda-feira, dias antes da conferência climática COP26. "A abundância de gases de efeito estufa que retêm o calor na atmosfera voltou a atingir um novo recorde no ano passado, e a taxa de aumento anual registrada foi superior à média do período 2011-2020", alerta o boletim da OMM.

Em seu relatório, a agência da ONU indica que já se evidencia "a transição de uma parte da Amazônia de sumidouro a fonte de carbono"."É alarmante e está vinculado ao desmatamento na região", afirmou o secretário-geral da OMM, professor Petteri Taalas, em entrevista coletiva.

De acordo com esta agência da ONU, a desaceleração econômica causada pela Covid-19 "não teve qualquer efeito evidente sobre os níveis atmosféricos dos gases de efeito estufa, nem em suas taxas de aumento, embora tenha ocorrido uma redução temporária das novas emissões". A OMM informou que as emissões não param e que "a temperatura mundial continuará subindo".

Como o dióxido de carbono (CO2) é um gás de vida longa, "o nível de temperatura observado hoje persistirá por várias décadas, ainda que as emissões sejam rapidamente reduzidas até alcançar o nível de zero líquido", acrescentou.

A conferência da ONU sobre mudança climática CO26 começa no próximo domingo, 31 de outubro, em Glasgow, na Escócia, e vai até 12 de novembro."O Boletim da OMM sobre os gases de efeito estufa envia uma mensagem científica contundente aos negociadores em matéria de mudança climática", diz o secretário-geral da agência, citado no comunicado.

"Caso o ritmo atual de aumento das concentrações de gases de efeito estufa se mantenha, o aumento da temperatura no final deste século vai superar, de longe, a meta estabelecida em virtude do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a +1,5°C, ou a +2°C acima dos níveis pré-industriais", acrescentou."Se continuarmos usando os recursos fósseis de maneira ilimitada, poderemos alcançar um aquecimento de em torno de 4°C até o final do século", alerta o professor Taalas.

Concentração similar há milhões de anos

A concentração de dióxido de carbono (CO2), o mais abundante dos gases de efeito estufa, atingiu 413,2 partes por milhão (ppm), em 2020, e está em 149% dos níveis pré-industriais. O boletim especifica que cerca de metade do CO2 emitido pelas atividades humanas permanece na atmosfera, enquanto a outra metade é absorvida pelos oceanos e ecossistemas terrestres. "A última vez que se registrou na Terra uma concentração de CO2 comparável foi entre três e cinco milhões de anos atrás. Nesta época, a temperatura era de 2°C a 3°C mais quente, e o nível do mar, entre 10 e 20 metros acima do atual, mas não havia 7,8 bilhões de pessoas no planeta", explicou Taalas.

No caso do metano (CH4) e do óxido nitroso (N2O), suas concentrações foram equivalentes a 262% e 123%, respectivamente, dos níveis de 1750, ano escolhido para representar o momento em que a atividade humana passou a alterar o equilíbrio natural da Terra. Cerca de 40% do metano é emitido por fontes naturais (como os pântanos), enquanto os demais 60% são têm, origem em atividades humanas, como pecuária e cultivo de arroz.

"Devemos transformar nossos sistemas industriais, energéticos e de transporte e todo nosso estilo de vida. As mudanças necessárias são acessíveis do ponto de vista econômico, e viáveis, do ponto de vista técnico. Não há tempo a perder", advertiu Taalas. 


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