Erdogan descarta negociação com Curdos
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Erdogan descarta negociação com Curdos

Exército sírio lutam contra rebeldes pró-Turquia

Por
AFP

Cerca de 500 curdos fugiram para o Curdistão iraquiano nos últimos quatro dias


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O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, rejeitou de forma categórica qualquer possibilidade de negociação com as forças curdas na Síria, enquanto o governo dos Estados Unidos defende um cessar-fogo.

"Há alguns líderes que estão tentando fazer uma mediação (...) Nunca aconteceu algo assim na história da República Turca, que o Estado sente à mesma mesa que uma organização terrorista", afirmou Erdogan em um discurso no Parlamento, em referência às milícias curdas.

Oposição

O exército do regime sírio e as forças curdas protagonizavam nesta quarta-feira violentos combates contra os rebeldes pró-Turquia na região norte da Síria, onde as forças turcas iniciaram uma ofensiva contra uma milícia curda. Para conter o avanço das tropas turcas, as forças curdas, abandonadas por Washington, pediram ao exército de Bashar Al-Assad que entrassem em alguns setores do norte do país, sobretudo em Manbij e Ain Isa, a 30 km da fronteira.

Desde o início da ofensiva há uma semana, o exército turco e seus reforços sírios - ex-combatentes rebeldes que já lutaram pela queda do regime - assumiram o controle de uma faixa de território de 120 km na fronteira. Nesta quarta-feira foram registrados confrontos violentos ao nordeste de Ain Isa entre o exército sírio e as forças curdas e os rebeldes pró-Turquia, afirmou a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

O regime e as Forças Democráticas Sírias (FDS), dominadas pelas forças curdas, combatem "juntas", afirmou à AFP o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman. Os combates acontecem perto da estratégica rodovia M4, em áreas que separam os territórios sob controle das forças curdas das zonas ocupadas recentemente pelos reforços sírios de Ancara, indicou o OSDH.

Na terça-feira, dois soldados do regime sírio morreram perto de Ain Isa, atingidos por disparos de artilharia dos rebeldes pró-Turquia. A Rússia, grande aliada do regime de Assad, afirmou que não permitira combates entre os exércitos turco e sírio.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusado de ter abandonado os curdos, anunciou que seu vice-presidente, Mike Pence, e o secretário de Estado, Mike Pompeo, viajarão à Turquia para negociar um "cessar-fogo". O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, descartou a possibilidade.

Ao mesmo tempo, o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, afirmou que os campos controlados pelos curdos no nordeste da Síria, onde muitos jihadistas estão detidos, não estão ameaçados atualmente pela ofensiva turca. Ele também afirmou que vai conversar com as autoridades iraquianas sobre a criação de um "dispositivo" internacional que permita julgar os extremistas do grupo Estado Islâmico, incluindo os franceses.


Refugiados

Quase 500 curdos da Síria fugiram nos últimos quatro dias para o Curdistão iraquiano, afirmaram as autoridades locais. Todas as famílias foram escoltadas até acampamentos de deslocados internos na região noroeste do Iraque, onde milhões de iraquianos encontraram refúgio após o avanço do grupo Estado Islâmico (EI) em 2014, informou à AFP uma fonte do governo da província de Dehok, região curda fronteiriça com a Síria.

As ONGs que atuam no Curdistão iraquiano se declaram em estado de alerta desde que Ancara iniciou uma operação militar no norte da Síria contra a milícia curda síria das Unidades de Proteção Popular (YPG), aliada dos países ocidentais na luta contra os jihadistas. No sábado, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) informou que "182 curdos sírios cruzaram a fronteira para o Curdistão iraquiano para escapar de bombardeios no nordeste da Síria".

Ao ser questionado pela AFP sobre eles, Ismael Ahmed, secretário para assuntos humanitários no conselho provincial de Dehok, afirmou que são "curdos sírios que já residem no Curdistão iraquiano, que visitaram parentes na Síria antes de partir na outra direção em consequência dos bombardeios".