Erdogan quer trégua na Síria e acentua pressão sobre a Europa

Erdogan quer trégua na Síria e acentua pressão sobre a Europa

Presidente turco declarou que exigirá um cessar-fogo na Síria durante reunião com Putin

AFP

Erdogan aumentou a pressão dizendo que "milhões" de migrantes se dirigirão "em breve" à Europa

publicidade

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, declarou nesta segunda-feira que exigirá um cessar-fogo na Síria durante uma reunião com seu colega russo Vladimir Putin, e aumentou a pressão sobre os europeus dizendo que "milhões" de migrantes se dirigirão "em breve" à Europa. O chefe de Estado turco viaja a Moscou na quinta-feira para conversar com o presidente russo sobre a Síria, num momento de grande tensão na província de Idlib (noroeste), com intensos combates e uma catástrofe humanitária.

Após semanas de escalada na região, a Turquia anunciou no domingo que lançou uma grande ofensiva contra o regime de Bashar al-Assad, apoiado por Moscou, derrubando dois de seus aviões e infligindo pesadas perdas às suas tropas. "Vou a Moscou e discutirei os acontecimentos (na Síria) com Putin. Espero que ele tome as medidas necessárias, como o cessar-fogo, e que encontremos uma solução para esse assunto", afirmou em discurso em Ancara.

Com o objetivo de obter mais apoio ocidental, a Turquia anunciou na semana passada a abertura de suas fronteiras com a Europa para permitir a passagem dos migrantes em seu território. "Desde que abrimos nossas fronteiras (sexta-feira), o número de pessoas se dirigindo para a Europa atingiu centenas de milhares. Em breve, esse número será expresso em milhões", afirmou Erdogan nesta segunda-feira.

"É inaceitável que o presidente Erdogan e seu governo não expressem seu descontentamento diretamente a nós, UE, mas se aproveite dos refugiados", reagiu a chanceler alemã, Angela Merkel.

Segundo a Ornagização Internacional para as Migrações (OIM), mais de 13.000 refugiados estão no largo dos 212 km da fronteira terrestre grego-turca. "As portas estão abertas. Vocês terão agora que carregar sua parte do fardo", ressaltou Erdogan.

Uma autoridade turca acusou as forças gregas de terem matado um migrante que tentava atravessar a fronteira, informação negada por Atenas. As forças policiais gregas lançaram gás lacrimogêneo para impedir a entrada de migrantes. Segundos as autoridades, entre domingo e esta segunda, 1.300 solicitantes de asilo conseguiram chegar nas ilhas do Mar Egeu. Um menino morreu na costa de Lesbos no naufrágio de uma embarcação com 50 pessoas.

"Grande importância"

Enquanto o encontro entre Erdogan e Putin se anuncia tenso, o Kremlin enfatizou nesta segunda-feira a "grande importância" da cooperação entre Ancara e Moscou na Síria. A Turquia apoia certos grupos rebeldes e a Rússia apoia o regime de Assad. Mas, apesar de seus interesses divergentes, os dois países reforçaram sua parceria nos últimos anos.

O relacionamento, no entanto, desgastou-se desde que o regime lançou uma ofensiva em meados de dezembro, apoiada pela força aérea russa, para retomar a província de Idlib, última fortaleza rebelde e jihadista na Síria.

Na semana passada, mais de 30 soldados turcos foram mortos em ataques aéreos atribuídos por Ancara ao regime sírio. Em resposta, a Turquia anunciou no domingo o lançamento da operação "Escudo da Primavera" e intensificou os ataques com drones contra posições sírias, causando grandes perdas às tropas de Damasco.

Nesta segunda-feira, o governo sírio declarou estar decidido a repelir "a flagrante agressão turca", segundo uma fonte do ministério das Relações Exteriores, citada pela agência SANA. No campo de batalha, os combates se concentram na cidade estratégica de Saraqeb, que mudou de mãos várias vezes nas últimas semanas. De acordo com a SANA, as tropas do regime entraram na cidade nesta segunda, apoiadas pela força aérea russa. 

A ofensiva do regime em Idlib provocou uma grave crise humanitária, deslocando quase um milhão de pessoas. Um êxodo inédito em tão pouco tempo desde o início do conflito na Síria que, desde 2011, deixou mais de 380.000 mortos.


publicidade

Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895