EUA lança cápsula espacial com manequim a bordo
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EUA lança cápsula espacial com manequim a bordo

Teste é crucial para Nasa retomar voos tripulados em 2020

Por
AFP

Cápsula ficará presa à estação espacial por sete dias até retornar

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Um foguete Atlas V decolou nesta sexta-feira de Cabo Canaveral, Flórida, na tentativa de fazer orbitar a nova cápsula espacial da Boeing, Starliner. O teste é crucial para a agência espacial dos Estados Unidos (Nasa) retomar os voos tripulados em 2020.

Apenas um manequim chamado Rosie e uma pelúcia do Snoopy estão a bordo para esta missão de oito dias. Os primeiros minutos do voo transcorreram normalmente, com uma separação bem-sucedida do primeiro andar, de acordo com as imagens transmitidas pela Nasa.

O CST-100 Starliner, nome oficial da cápsula, deixou o Cabo Canaveral às 06h36min (08h36min de Brasília) e deve chegar à ISS 25 horas depois. A Nasa contratou a Boeing e a SpaceX em 2014 para desenvolver cápsulas para transportar astronautas entre os Estados Unidos e a Estação Espacial Internacional (ISS), uma função que apenas os foguetes russos da Soyuz exercem desde 2011, quando Washington encerrou seu programa de ônibus espaciais.

O projeto Starliner está com dois anos de atraso, e a agência espacial americana espera enviar astronautas no primeiro semestre de 2020, desde que esses testes finais sejam realizados sem incidentes. A missão desta sexta-feira durará oito dias e servirá como um ensaio geral.

A cápsula permanecerá presa à estação por sete dias antes de retornar. Se tudo der certo, pousará no dia 28 de dezembro às 03h47min (07h47min de Brasília) no deserto do Novo México, após uma descida de quatro horas. O Starliner leva a bordo um único passageiro, um manequim chamado Rosie, em homenagem a "Rosie the Riveter" (em português, "Rosie, a rebitadeira"), nome com o qual é conhecida a imagem icônica de uma jovem mulher que mostra seu bíceps e diz "Nós podemos", símbolo da participação das mulheres nos esforços de guerra americanos durante a Segunda Guerra Mundial.

Sob a presidência de Barack Obama, a agência espacial americana concedeu bilhões de dólares à Boeing e à SpaceX para desenvolver cápsulas espaciais fabricadas nos Estados Unidos. "No início do próximo ano, lançaremos astronautas americanos em foguetes americanos do solo americano pela primeira vez desde a retirada dos ônibus espaciais em 2011", disse na quinta-feira o administrador da Nasa, Jim Bridenstine, no Centro Espacial Kennedy.

A cápsula da SpaceX, empresa de Elon Musk, completou com sucesso em março uma missão semelhante à que Starliner realiza nesta sexta. Chamada Crew Dragon, a nave decolou com outro manequim a bordo, Ripley, aclopou-se à ISS e retornou à Terra sem inconvenientes. Seu retorno terminou em um pouso no mar.

Os manequins que participam desses testes não são apenas bonecos decorativos: estão equipados com vários sensores para verificar se a viagem será segura para a tripulação humana. Para o astronauta da Boeing Chris Ferguson, a espera foi longa demais. Ferguson comandou em julho de 2011 o último voo do programa Space Shuttle e liderará o primeiro voo tripulado do Starliner. "Mas aqui estamos, no limiar de estarmos prontos para fazê-lo. Não uma, mas duas empresas", disse.

As cápsulas não são iguais às usadas no programa Artemisa, que planeja levar homens e mulheres à superfície lunar em 2024. Essas viagens serão feitas com outra cápsula, Orion, projetada para viagens espaciais profundas e cuja fabricação está a cargo da Lockheed Martin.

90 milhões de dólares

Em uma mudança de filosofia, a Nasa já não será proprietária de seus veículos como no passado, mas pagará às empresas pelo serviço de transporte. Essa modalidade foi decidida durante o governo Obama para reduzir os custos da agência. As empresas deverão garantir seis viagens com quatro astronautas cada, até 2024.

Em troca, a Nasa pagará mais de US$ 8 bilhões no total. Assim, uma passagem de ida e volta à ISS custa US$ 90 milhões por passageiro no Starliner, de acordo com um relatório do Escritório do Inspetor-Geral da Nasa. A viagem no Crew Dragon é estimada em US$ 55 milhões por passageiro. Atualmente, a agência americana paga à Rússia mais deUS $ 80 milhões por astronauta.

Bridenstine e Boeing rejeitaram esses números, alegando que foram inflados porque foram obtidos de uma divisão do total do investimento da Nasa para cada uma das futuras viagens estipuladas, sem considerar fatores que resultam em um menor custo por viagem. O chefe da Nasa também se referiu à crise de confiança pela qual a Boeing está passando. "As pessoas que desenvolvem naves espaciais não são as mesmas que desenvolvem aviões", disse ele.