Evo diz que OEA aderiu ao "golpe de Estado" e fala em voltar à Bolívia se o povo pedir
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Evo diz que OEA aderiu ao "golpe de Estado" e fala em voltar à Bolívia se o povo pedir

Ex-presidente também criticou as Forças Armada e pediu que não "metam bala" na população

Por
AFP e Correio do Povo

Evo está asilado no México

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O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou nesta quarta que a Organização dos Estados Americanos (OEA) se juntou ao golpe de Estado. As declarações foram feitas em entrevista concedida a W Rádio Colômbia. "Infelizmente, a OEA aderiu a esse golpe de Estado. Eu recomendo aos novos políticos da América Latina cuidado com a OEA. A OEA é neogolpista para mim", disse. "Se meu povo pedir, estamos dispostos a voltar para apaziguar, mas é importante o diálogo nacional. Vamos voltar cedo ou tarde. Quanto antes melhor para pacificar a Bolívia", completou.

Evo também criticou as Forças Armadas e pediu que não "metam bala" na população. "Equipei as Forças Armadas não para que ajam contra o povo, mas para que defendam a pátria. Eu não entendo como meus ex-comandantes agora podem ter tanta deslealdade", comentou. Ele está asilado na Cidade do México desde ontem, quando chegou em um avião da Aeronáutica do país anfitrião.

A crise se instaurou na Bolívia depois que, em auditoria nas eleições, a organização internacional concluiu que houve "graves irregularidades" e solicitou que fosse realizado um novo pleito, com novos representantes no Tribunal Supremo Eleitoral, para que houvesse garantia e isenção. Apesar de ter convocado novas eleições, Evo disse que o documento tinha "tom político" e questionou a credibilidade da auditoria da OEA. Algumas horas após a divulgação do arquivoe e tendo recebido a "orientação" por parte das Forças Armadas de que deveria renunciar, ele anunciou que deixaria o cargo.

O ex-líder cocaleiro questionou também a atitude da senadora Jeanine Áñez que se autoproclamou presidente interina do país em uma sessão sem a presença de parlamentares do seu partido, o Movimento al Socialismo (MAS), nem quórum suficiente. Ele argumentou que é possível falar de eleições gerais imediatamente sem sua candidatura, se isso serve para impedir novos confrontos e acusou a agora presidente de violar a Constituição Política do Estado.

“A renúncia deve ser aprovada ou rejeitada no Legislativo. Ontem a presidente se autoproclama, ela não respeitou a Constituição, porque qualquer demissão deve ser aprovada ou rejeitada, não houve sessã. Se eles aceitaram a demissão, a presidente do Senado deveria assumir, e o presidente da Câmara dos Deputados fizeram renunciar com represálias. A senadora, segunda vice-presidente, pode inventar qualquer figura jurídica, mas não respeitou a Constituição ”, afirmou.