Responsáveis pela estratégia de combate à Covid-19 no governo Joe Biden voltaram a falar ontem da preocupação com a situação da pandemia no Brasil. O principal infectologista do governo, Anthony Fauci, afirmou que terá reunião com autoridades brasileiras, quando os EUA poderão entender como ajudar o País, mas não se comprometeu com compartilhamento de vacinas.
"Vamos nos reunir com autoridades brasileiras", disse Fauci. "Estamos bem preocupados com a situação difícil do Brasil e discutiremos formas de ajudar o Brasil", afirmou o infectologista do governo Joe Biden. Ele disse que não entraria em detalhes, porque aguarda ver o que os órgãos brasileiros informarão para, então, avaliar como os americanos poderão ajudar.
O Itamaraty informou que está em contato com o governo americano desde o dia 13, após o jornal The New York Times revelar que havia pressão sobre o governo Biden para compartilhar doses de vacina da AstraZeneca com outros países, como o Brasil. Ainda segundo o jornal americano, algumas nações já haviam requisitado aos americanos a doação do imunizante que ainda não está em uso. Desde então, a diplomacia brasileira tem trabalhado para agendar uma reunião com autoridades de órgãos de saúde, como a Anvisa, e a equipe do governo americano.
Em audiência na Câmara dos Deputados, o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, disse ontem que considera "difícil" o Brasil obter dos EUA a liberação para compra de vacinas, mas afirmou que o governo tem "boa perspectiva" de conseguir kits de intubação e máquinas de produção de oxigênio nos EUA.
Ainda ontem, as autoridades do governo Biden voltaram a dizer que a prioridade é garantir a vacinação nos EUA, antes de disponibilizar o excedente. "Depois de cuidarmos da situação realmente difícil que temos em nosso país, com mais de 535 mil mortes, obviamente teremos, no futuro, vacina excedente, e certamente consideramos tornar essa vacina disponível para países que precisam dela", disse Fauci.
"Estamos preocupados com a situação no Brasil. Temos tido conversas no Brasil regularmente, diariamente, sobre o que está acontecendo lá. Não darei mais detalhes além de dizer que estamos profundamente engajados", disse o conselheiro sênior da Casa Branca para resposta à pandemia, Andy Slavitt.
Na semana passada, a Casa Branca informou que tem 7 milhões de doses da vacina da AstraZeneca para compartilhar com a comunidade internacional e anunciou o empréstimo de 2,5 milhões ao México e 1,5 milhão ao Canadá. O imunizante da AstraZeneca ainda não foi autorizado para uso nos EUA, por isso as doses compradas pelos americanos estão paradas.