Gorbachov espera cooperação de Biden com Rússia e defende estender tratado de desarmamento nuclear

Gorbachov espera cooperação de Biden com Rússia e defende estender tratado de desarmamento nuclear

Último líder da União Soviética afirmo que as relações atuais são fonte de uma grande preocupação, o que também é uma oportunidade

Correio do Povo e AFP

Aos 89, líder soviético deu entrevista à agência oficial de notícias russa TASS

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O último líder da União Soviética (URSS), Mikhail Gorbachev, fez um apelo nesta quarta-feira por uma "normalização das relações" entre Estados Unidos e Rússia, no dia da posse do presidente eleito Joe Biden. "As relações atuais são fonte de uma grande preocupação. Infelizmente, é uma realidade. Mas isso também quer dizer que se tem de fazer algo para normalizar as relações", declarou Gorbachev em uma entrevista à agência oficial de notícias russa TASS.

"Precisamos nos falar para que nossas intenções e nossas ações fiquem claras", continuou o ex-presidente de 89 anos, citando como exemplo sua experiência à frente da URSS. "Quando retomamos o diálogo, nos reunimos no mais alto nível, após uma pausa de seis anos!", lembrou. "Tem que começar por algum lugar. Não podemos nos fechar um ao outro", acrescentou Gorbachev, insistindo no diálogo entre as duas potências. 

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Ele reiterou seu apelo para que se prolongue o tratado de desarmamento nuclear New Start, que expira em 5 de fevereiro. Sucessor do Start I (assinado em 1991 por Gorbachev e por George H. W. Bush), o New Start mantém o arsenal dos dois países bem abaixo de seu nível durante a Guerra Fria. Em vigor desde 2011, ele limita a 700 o número de lançadores nucleares estratégicos implantados, e a 1.550, o de ogivas.

O fim iminente desse acordo gerou tensões entre Washington e Moscou, que divergem sobre os termos de sua renovação. "Acho que seria possível chegar a um acordo sobre várias regras do jogo e depois observar se estão sendo respeitadas. E, se não estiverem sendo mantidas, falar disso abertamente, resolver o que não funciona, os problemas", acrescentou Gorbachev.

Ataque à democracia

Gorbachov também falou sobre a invasão ao Capitólio, em 6 de janeiro. Já expressei minha opinião: o que aconteceu lá realmente ameaça a democracia e a estabilidade do Estado americano. Mas cabe aos americanos investigar as causas e consequências e tirar conclusões. Acho que haverá uma discussão séria. É precisamente nisso que eles devem se concentrar em vez de dar lições aos outros. Certa vez, disse ao presidente Reagan, quando ele escolheu o tom errado ao discutir os direitos humanos: 'Sr. Presidente, você não é um mentor e eu não sou um estudante. Além disso: você não é promotor e eu não sou réu. Se você discordar, então nossa conversa não vale a pena'. E, devo dizer, ele deu ouvidos ao meu argumento", disse


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