Governo do Irã afirma que tweets de Trump apoiando protestos no país são "lágrimas de crocodilo"
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Governo do Irã afirma que tweets de Trump apoiando protestos no país são "lágrimas de crocodilo"

Porta-voz disse que regime não esqueceu a morte do general Soleimani e as sanções impostas ao país

Por
Agência Brasil

Governo iraniano negou que esteja atirando em manifestantes

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O governo iraniano rejeitou, nesta segunda-feira, o apoio demonstrado pelo presidente norte-americano Donald Trump aos protestos que ocorreram nos últimos dias, sublinhando que o país não esqueceu a morte do general Soleimani e as sanções impostas ao país pelos Estados Unidos. Entretanto, Teerã negou que a polícia esteja respondendo de forma violenta aos protestos que começaram depois que o governo do Irã admitiu culpa no acidente com um avião ucraniano na semana passada. Para o porta-voz do governo de Teerã, Ali Rabiei, os tweets de Trump em defesa dos manifestantes são "lágrimas de crocodilo".

"O Governo do Irã deve permitir que os grupos de Direitos Humanos monitorem e relatem os fatos sobre os protestos em curso do povo iraniano. Não pode haver outro massacre de manifestantes pacíficos, nem um apagão da Internet. O mundo está atento", escreveu o presidente norte-americano no Twitter, em inglês e em farsi.  Ele acrescentou, em outra mensagem dirigida ao "corajoso povo iraniano", que a "presidência" norte-americana e a Administração "estão do seu lado desde o princípio e vão continuar ao seu lado".

Horas depois, o presidente voltava a avisar Teerã: "Líderes do Irã - NÃO MATEM SEUS MANIFESTANTES. Milhares já foram mortos ou detidos, e o mundo está atento. Mais importante, os Estados Unidos estão atentos. Liberem a Internet e deixem que os jornalistas circularem livremente. Parem de matar o grande povo iraniano!", escreveu em outro tweet, novamente em inglês e farsi.

Trump referia-se indiretamente aos protestos violentos ocorridos contra o custo dos combustíveis em novembro de 2019, quando centenas de pessoas teriam morrido e a Internet foi desligada por completo de forma a impedir a divulgação de vídeos e de informações. Já nesta manhã, o regime iraniano reagiu, através da televisão estatal, às palavras de Trump. Ali Rabiei, porta-voz do governo do Irã, assinalou os iranianos que não esqueceram do morte do general Qassem Soleimani e que os Estados Unidos são responsáveis por grande parte das dificuldades econômicas sentidas pelos iranianos no momento.  

Rabiei mencionou ainda o caso do Embaixador britânico no Irã, Rob Macaire, que foi detido durante alguns minutos pela polícia iraniana no último sábado. Segundo ele, o diplomata se comportou de forma "pouco profissional e completamente inaceitável". No Twitter, o diplomata explicou que apenas participou de uma cerimônia em homenagem às 176 vítimas do desastre aéreo, porque havia britânicos entre os passageiros. "É ilegal prender diplomatas de qualquer país", acrescentou.

O ministro britânico para os Negócios Estrangeiros disse que o episódio foi uma "flagrante violação do Direito Internacional". Na sequência deste incidente diplomático, o embaixador iraniano no Reino Unido foi chamado pelo primeiro-ministro inglês para dar explicações.

Este é o terceiro dia de manifestações em Teerã. De acordo com a agência Reuters, os manifestantes continuam a contestar o regime, após o abate do avião ucraniano.   Os vídeos publicados nas redes sociais mostram milhares de iranianos protestando contra os líderes iranianos, incluindo o Líder Supremo, o aiatolá Ali Khamenei, com gritos de "morte ao ditador". 

De acordo com o jornal The Guardian, a polícia iraniana respondeu aos protestos de domingo com violência e balas reais, provocando vários feridos.  "Dispararam repetidamente gás lacrimogêneo, não conseguíamos ver nada. (.) Uma jovem ao meu lado foi baleada na perna. Foi terrível, terrível", disse uma das testemunhas ouvidas pelo jornal britânico que preferiu não se identificar.

A polícia negou nesta segunda-feira ter respondido de forma violenta aos protestos. "A polícia não disparou contra os manifestantes. Os policiais da capital receberam ordens para mostrar moderação", disse o chefe de polícia de Teerã, Hossein Rahimi. Os protestos dos últimos dias já se espalharam a outras cidades do país, incluindo Shiraz, Esfahan, Hamedan e Orumiyeh.

No domingo, o aiatolá culpou a "presença corrupta dos Estados Unidos e dos seus companheiros" pela "atual situação turbulenta na região", apelando por isso ao fortalecimento das relações entre os países na região. Durante uma reunião com o líder do Qatar, o sheikh Tamim bin Hamad Al Thani, o Líder Supremo considera que a cooperação entre países constitui um esforço "para evitar o risco de influência externa".

* Com informações da emissora pública de televisão de Portugal