Governo sírio pede que forças curdas se unam a seu exército

Governo sírio pede que forças curdas se unam a seu exército

Pedido acontece após a maior mobilização desde 2012 das tropas de Bashar Al-Assad no nordeste da Síria

AFP

Ofensiva turca foi interrompida por dois acordos de trégua na região nordeste do país sírio

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O governo sírio convocou nesta quarta-feira as forças curdas para se juntarem a seu exército no nordeste da Síria, onde uma ofensiva turca foi interrompida por dois acordos de trégua, anunciaram as mídias oficiais em Damasco. O pedido acontece após a maior mobilização desde 2012 das tropas de Bashar Al-Assad nessa região do país, da qual haviam se retirado após o início da guerra.

As forças curdas apelaram ao governo de Assad para contra-atacar a ofensiva de Ancara, lançada em 9 de outubro, depois de terem sido abandonadas pelos Estados Unidos que, "de fato", deram sinal verde ao ataque turco. "O comando geral das forças armadas está disposto a receber os membros das unidades das Forças Democráticas da Síria (SDS, dominadas por combatentes curdos) que desejam se juntar às suas filas", afirmou o Ministério da Defesa de Damasco em comunicado divulgado pela agência oficial SANA. Todos os sírios, incluindo a minoria curda, enfrentam um "inimigo comum", acrescenta o texto, referindo-se à Turquia. 

O Ministério do Interior, por sua vez, pediu aos membros da Assayech, a polícia curda, que se unam ao seu par sírio, de acordo com a SANA. As SDS afirmaram em um comunicado que não poderão ingressar no exército sírio antes de "um acordo político que reconheça e preserve o status e a estrutura específicas" de suas forças, e que tal medida exigiria também "um mecanismo para reestruturar" o exército sírio.

Em um comunicado separado, o líder das SDS Mazloum Abdi revelou que suas forças propuseram um acordo "que preserve o status especial das SDS nas zonas onde estão presentes". Isto tornaria possível "fazer parte" do exército sírio.

Um acordo concluído na semana passada entre Turquia e a Rússia, aliada de Al-Assad, acabou com a ofensiva turca, com a retirada das forças curdas de grande parte do norte e nordeste do país, o que permitiu reforçar a presença do exército sírio nessa região.


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