Grécia inaugura seu primeiro acampamento "fechado" para imigrantes

Grécia inaugura seu primeiro acampamento "fechado" para imigrantes

Modalidade que preocupa associações de direitos humanos

AFP

Numa área de mais de 12 mil m2, fechada por uma dupla cerca de arame farpado

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O governo grego inaugurou neste sábado na ilha grega de Samos, perto da costa da Turquia, o primeiro acampamento de imigrantes "fechado e com acessos controlados", modalidade que preocupa associações de direitos humanos.

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"De Samos, mandamos uma mensagem a todas as ilhas: as imagens (dos acampamentos precários) de Moria (em Lesbos) ou de Vathy já pertencem ao passado", declarou o ministro grego das Migrações, Notis Mitarachi, neste sábado durante a cerimônia de inauguração das novas instalações, ainda vazias.

Numa área de mais de 12 mil m2, fechada por uma dupla cerca de arame farpado, mais de 300 requerentes de asilo serão transferidos para este centro a partir de segunda-feira, vindos dos arredores de Vathy, onde estiveram amontoados até agora.

As entradas do campo são protegidas com arame farpado, câmeras de vigilância, scanners de raio-X, além de portões magnéticos na entrada.

Projeto "piloto"

No acampamento, um centro de detenção foi criado para todos os migrantes que tiveram o direito de asilo negado e precisam ser encaminhados para a Turquia.

A União Europeia (UE) disse que investirá 276 milhões de euros (326 milhões de dólares) para a construção desses polêmicos campos nas cinco ilhas gregas do Mar Egeu: Leros, Lesbos, Cos, Samos e Chios. A maioria dos refugiados e imigrantes vem da Turquia.

O centro de Samos servirá como um projeto "piloto" para futuros centros a serem construídos em outras ilhas, como Leros, onde um acampamento está programado para abrir em cinco meses.

Em Lesbos, onde o campo de Moria, o maior para imigrantes da Europa, foi destruído por um incêndio no ano passado, também construirá um centro desse tipo, mas as obras ainda não começaram.

ONU e ONGs preocupadas

Diversas ONGs expressaram preocupação com o fato de que as novas estruturas serão construídas em locais isolados, restringirão os movimentos de seus residentes.

Uma dúzia deles, incluindo a Anistia Internacional, criticou a Grécia por continuar "suas políticas prejudiciais baseadas na prevenção (deslocamento) e na contenção de refugiados e requerentes de asilo".

Cerca de 45 ONGs e associações exigiram que a UE e o Executivo grego abandonassem seu objetivo de restringir os movimentos dos residentes do centro.

De acordo com um relatório das ONGs, esses centros "impedirão a identificação e proteção eficazes de pessoas vulneráveis, bem como limitarão o acesso a serviços e assistência aos solicitantes de asilo".

O fato de se falar em centros "fechados" é "preocupante", disse Mireille Girard, representante da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) na Grécia.

Hoje, a Grécia representa a principal porta de entrada para os imigrantes durante a crise de refugiados iniciada em 2015.

Após a vitória do Talibã no Afeganistão, as autoridades europeias temem uma nova onda de imigrantes.

Foto: LOUISA GOULIAMAKI / AFP


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