Guaidó assume presidência do Parlamento venezuelano no Palácio Legislativo

Guaidó assume presidência do Parlamento venezuelano no Palácio Legislativo

Líder opositor foi ratificado no último domingo como líder parlamentar com votos da oposição

AFP

Guaidó foi eleito em sessão que ocorreu sem luz elétrica e à qual militares tentaram impedir sua entrada

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O líder opositor Juan Guaidó foi empossado nesta terça-feira como presidente do Parlamento venezuelano, após ser ratificado no último domingo como líder parlamentar com votos da oposição. A sessão ocorreu sem luz elétrica e contou com militares tentaram impedir sua entrada. "Eu juro!", gritou Guaidó na tribuna presidencial da Assembleia Nacional, único poder nas mãos da oposição na Venezuela, ressaltando que buscará uma "solução para a crise".

Pouco antes da cerimônia com o opositor, o deputado rival, Luis Parra, autoproclamado presidente do Legislativo com apoio do chavismo no último domingo, presidiu uma sessão no local. Ele saiu após a chegada de Guaidó. Assim que o líder opositor começou a entoar o hino nacional venezuelano junto aos parlamentares opositores, a luz foi cortada e o Congresso ficou às escuras. Nesse momento, vários deputados iluminaram o salão com a lanterna dos seus celulares.

Guaidó chegou à sede do Congresso em uma caminhonete, acompanhado por uma caravana de ônibus na qual estavam deputados também da oposição, após percorrer cerca de cinco quilômetros do centro de Caracas. Militares da Guarda Nacional impediram a sua passagem pela parte leste do edifício. "Isso não é um quartel!", gritou-lhes o líder opositor, enquanto era carregado nos ombros por parlamentares, até conseguir entrar no prédio por outro acesso.

O dirigente foi ratificado no domingo presidente do Parlamento com cem votos de deputados opositores em uma sessão celebrada nas instalações do jornal El Nacional, veículo crítico a Maduro. Em 2019, o opositor se autoproclamou presidente interino da Venezuela, título reconhecido por vários países, após chamar o presidente Nicolás Maduro de "usurpador". O Estados Unidos, a União Europeia e aliados regionais como a Colômbia e o Brasil renovaram o seu apoio.

A vice-secretária adjunta do Departamento de Estado americano para Cuba e Venezuela, Carrie Filipetti, disse à imprensa nesta terça-feira em Washington que os Estados Unidos vão tomar medidas no caso de uma escalada da crise na Venezuela e da prisão de Guaidó pelas forças leais ao presidente Nicolás Maduro. Em declarações à imprensa, Filipetti disse que se a segurança de Guaidó estiver em risco, os Estados Unidos vão aumentar a pressão para propiciar a saída de Maduro, cuja reeleição, em maio de 2018, não reconhece por considerá-la "fraudulenta".

Os Estados Unidos e meia centena de países reconhecem desde o ano passado Guaidó como presidente interino da Venezuela com vistas a encabeçar um governo de transição e convocar novas eleições "livres e transparentes".

Sessão em paralelo

Enquanto Guaidó tentava entrar na Câmara Legislativa, Parra dirigia uma polêmica sessão no Congresso. Rompido com Guaidó após ser acusado de corrupção, convocou uma sessão em paralelo no Palácio Legislativo, propondo uma agenda diferente. Em declarações a veículos de comunicação, Parra pediu nesta segunda-feira ao próprio Guaidó para se apresentar no Congresso e se sentar em seu assento.

Aos gritos de um megafone, Parra foi empossado no último domingo com o apoio do chavismo, após uma votação sem contagem de votos. Segundo o deputado empossado, dos 167 parlamentares que compõem a Casa, 81 votaram a seu favor.

Ao mesmo tempo em que presidia a polêmica sessão, Guaidó tentava entrar na Câmara para ser reeleito presidente da casa, cargo do qual reivindicou a Presidência interina da Venezuela há quase um ano. O líder opositor denunciou então a ação na qual Parra foi proclamado como um "golpe de Estado parlamentar". Mas o presidente Maduro, no entanto, reconheceu a posse de Parra. Atualmente, a Câmara tem 167 deputados, dos quais 112 são da oposição.


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