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Incêndio em Notre-Dame mobiliza comunidade internacional por doações para reconstrução

Entidades e países se unem para recuperar um dos maiores símbolos da cultura europeia

Por
Correio do Povo e AFP

Bombeiros comemoraram preservação de estrutura de torres após incêndio

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Atores políticos e entidades da comunidade internacional se uniram em solidariedade após o incêndio que abalou o mundo. O Papa Francisco pediu a "mobilização de todos" para que a catedral de Notre-Dame possa voltar a ser "a joia arquitetônica de uma memória coletiva". "Saudando a coragem e o trabalho dos bombeiros que intervieram para conter o incêndio, rezo que a catedral possa voltar a ser, graças ao trabalho de reconstrução e a mobilização de todos, esta bela joia no coração da cidade, sinal da fé daqueles que a edificaram, igreja-mãe da sua diocese, patrimônio arquitetônico e espiritual de Paris, da França e da humanidade", escreveu o Pontífice em um telegrama dirigido ao arcebispo de Paris, dom Michel Aupetit.

Em sua mensagem, o argentino diz que compartilha a "tristeza" dos fiéis e de "todos os franceses" e assegura sua "proximidade espiritual" e sua oração. "Esta catástrofe danificou seriamente um prédio histórico. Mas estou ciente de que também afetou um símbolo nacional caro aos parisienses e aos franceses na diversidade de suas convicções", completou. O presidente francês, Emmanuel Macron, vai se encontrar com o líder da Igreja Católica na tarde desta terça, informou o palácio do Eliseu, afirmando que o chefe de Estado recebeu ligações de autoridades durante toda a manhã.

Questionado sobre a ajuda que a Santa Sé poderia trazer à reconstrução, o cardeal Gianfranco Ravasi, "ministro" da Cultura do Vaticano, explicou que seria principalmente "contribuições técnicas". A catedral é propriedade do Estado francês, que cobra parte da visita, recordou. Mas o Vaticano disponibilizará a expertise adquirida em seus museus na restauração de obras religiosas, ele prometeu.

Mundo da moda e doações milionárias

O grupo Louis Vuitton Moët Hennessy (LVMH), do empresário Bernard Arnault, anunciou a doação de 200 milhões para "a reconstrução desta monumental catedral, símbolo da França, de sua herança e  de sua unidade". A empresa também colcou à disposição das autoridades todas as equipes "criativas, arquitetônicas, recursos financeiros para ajudar o longo trabalho de reconstrução, por um lado, e de angariação de fundos, pelo outro, que se apresenta".

Por sua parte, o magnata François-Henri Pinault, um dos grandes patronos de arte francesa, e seu pai, François, anunciaram que vão doar 100 milhões para as obras na catedral, conforme anunciado pelo emnoresário que lidera o conglomerado Artemis e Grupo Kering, proprietário de marcas de luxo como Saint Laurent, Gucci, Balenciaga e Alexander McQueen. "Essa tragédia afeta todos os franceses e vai muito além daqueles que se sentem ligados a ela por valores espirituais. Diante de tal drama, todo mundo quer dar um novo impulso tão rapidamente quanto possível para esta jóia do nosso património ", disse Pinault.

100 milhões de Euros

Já a Total doará 100 milhões de euros para reconstruir a catedral de Notre-Dame de Paris, conforme anunciou o presidente executivo do petroleiro francês, Patrick Pouyanné, no Twitter. Vários milionários e grandes empresas francesas se mobilizaram nas últimas horas para financiar a reforma, que deverá ser longa e onerosa, da emblemática catedral parisiense, destruída parcialmente na segunda-feira por um incêndio devastador.

Conselho Muçulmano se solidariza

O Conselho Francês do Culto Muçulmano (CFCM) e o reitor da mesquita de Lyon, no centro-leste da França, convocaram, nesta terça-feira, os muçulmanos da França a "mostrar sua solidariedade" e "participar do esforço financeiro" para reconstruir a catedral de Notre-Dame de Paris. O CFCM "chama os muçulmanos da França a participar do esforço financeiro para a reconstrução desta obra-prima arquitetônica que é a glória do nosso país", escreveu o organismo em um comunicado, expressando "sua imensa tristeza" e a sua "solidariedade e fraternidade aos cristãos de todo o mundo". A catedral é o "símbolo do cristianismo, local de culto do catolicismo, joia de Paris, coração da história da França e patrimônio da Humanidade", acrescentou.

O incêndio que assolou a famosa catedral parisiense, um dos monumentos mais emblemáticos da capital francesa, gerou grande solidariedade e levou o Executivo a lançar uma grande arrecadação para financiar as obras de reconstrução. "Hoje, somos solidários com o nosso país e pedimos aos muçulmanos na França que demonstrem sua solidariedade participando ativamente da campanha nacional de solidariedade que será lançada para encontrar formas de reconstruir este lugar da história de nosso país e este lugar de orações tão caro aos nossos irmãos cristãos", escreveu por sua vez Kamel Kabtane, presidente do Conselho de mesquitas do Rhône.

Segundo Kabtane, "tanto quanto seus compatriotas, os muçulmanos de nossa região estão comovidos com esse desastre". "Notre-Dame de Paris, além de ser um local de culto, é a alma do nosso país. É onde os franceses celebraram os momentos mais felizes de sua história", afirmou. O incêndio que atingiu a noite de segunda-feira a famosa Catedral de Paris, um dos monumentos mais emblemáticos da França.

Ajuda húngara

A cidade húngara de Szeged também já anunciou doação para reconstrução da catedral. O valor enviado será de 10 mil euros, em agradecimento pela ajuda que recebeu da capital francesa depois de devastadoras inundações que sofreu há mais de um século. "Há 140 anos, Paris forneceu ajuda para reconstruir Szeged depois de sua grande inundação e, agora no espírito da solidariedade europeia, Szeged ajuda Paris", afirma um comunicado da prefeitura da cidade do sul do país.

Em 12 de março de 1879, a maioria dos edifícios de Szeged - localizados às margens do rio Tisza, a cerca de 160 quilômetros de Budapeste - foram destruídos pelas enchentes, que também mataram 160 pessoas. Muitas cidades europeias enviaram ajuda econômica para reconstruir a cidade e, para agradecer, Szeged batizou suas novas avenidas com os nomes das cidades que a ajudaram na reconstrução, como Paris, Viena e Londres. A terceira maior cidade da Hungria também está coordenando uma coleta de doações entre seus 160 mil habitantes, segundo o conselho da cidade.

Campanha de arrecadação

Em seu pronunciamento à imprensa no dia da tragédia, o presidente da França, Emmanuel Macron, garantiu a reconstrução da edificação histórica e anunciou a criação de uma campanha de arrecadação para financiemento de restauros. Desde a declaração, entidades privadas já se mobilizaram para envio de ajuda. Os bombeiros especialistas ainda avaliam condições das estrutura e fazem perícia no local. As chamas só foram detidas após 10 horas de incêndio. Mesmo assim, principal estrutura das torres foi preservada.

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