Irã nega acusação de ataque à petroleira saudita
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Irã nega acusação de ataque à petroleira saudita

Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Abbas Mousavi, rejeitou os comentários de Mike Pompeo

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AE e Correio do Povo

Ataques reivindicados pelos rebeldes houthis do Iêmen resultaram na "suspensão temporária das operações de produção

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O Irã negou neste domingo ter participado de ataques de drones no Iêmen, realizados nesse sábado e que atingiram a maior instalação de processamento de petróleo do mundo e unidades da petroleira da Saudi Aramco, na Arábia Saudita. A declaração foi feita horas depois do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, culpar diretamente o país persa pelo ataque no Twitter, ao dizer que Teerã estava por trás do "ataque sem precedentes ao suprimento de energia do mundo".  O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Abbas Mousavi, rejeitou as declarações, classificando-as como "comentários cegos e inúteis". 

Os atentatdos, reivindicados pelos rebeldes houthis do Iêmen, resultaram na "suspensão temporária das operações de produção" nas instalações de processamento de Abqaiq e no campo de petróleo de Khurais. Isso levou à interrupção na produção de cerca de 5,7 milhões de barris de petróleo, o que representa uma perda de cerca de cinco milhões de barris por dia de petróleo (bpd), montante equivalente a aproximadamente 5% da produção mundial do óleo bruto. Autoridades disseram que os estoques sauditas compensariam a diferença. Os mercados permanecem fechados no domingo, mas analistas preveem que o caso pode influenciar os preços mundiais de petróleo.

Os danos em Abqaiq têm efeitos indiretos nos campos de petróleo do reino, porque lá é um ponto de coleta para grande parte da indústria de energia, transformando o óleo bruto em produtos específicos solicitados pelos clientes. O campo de Ghawar, o maior do mundo, e o Shaybah, que produz um milhão de barris por dia, também relataram interrupções por causa dos problemas em Abqaiq. Sem confirmar a extensão do dano à produção de petróleo, autoridades sauditas disseram esperar que a extração no país volte ao nível de 9,8 milhões de bpd até segunda-feira. A ocorrência também aumentou as tensões na região, em meio a uma crise crescente entre os EUA e o Irã devido ao acordo nuclear de Teerã com as potências mundiais. 

No fim de sábado, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, culpou diretamente o Irã pelo ataque no Twitter. "Em meio a todos os pedidos de redução da escala (das tensões), o Irã agora lançou um ataque sem precedentes ao suprimento de energia do mundo", escreveu Pompeo. "Não há evidências de que os ataques vieram do Iêmen". Os EUA, os países ocidentais, seus aliados árabes do Golfo e os especialistas da ONU dizem que o Irã fornece aos houthis armas e drones, uma acusação que Teerã nega.

Autoridades dos EUA afirmaram anteriormente que pelo menos um ataque recente de drones à Arábia Saudita veio do Iraque, onde milícias xiitas recebem apoio do Irã. Nas últimas semanas, esses grupos foram alvo de ataques aéreos misteriosos, com pelo menos um que se acredita ter sido realizado por Israel.