Irã vota em eleições presidenciais com ultraconservador Raisi como favorito

Irã vota em eleições presidenciais com ultraconservador Raisi como favorito

Dos sete candidatos autorizados pelo regime, três abandonaram a disputa nessa quarta-feira

AFP

Irã vota em eleições presidenciais com ultraconservador Raisi como favorito

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Os iranianos votam nesta sexta-feira (18), sem grande entusiasmo, para escolher um novo presidente, em um processo que tem o ultraconservador Ebrahim Raisi como grande favorito para assumir o governo de um país que enfrenta uma grave crise econômica e social.

O guia supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, emitiu em Teerã o primeiro voto e iniciou a votação. Ele convocou os quase 60 milhões de eleitores a cumprirem seu "dever cívico" o mais cedo possível.

A insatisfação generalizada da população neste país afetado pela Covid-19 e pelas sanções americanas, assim como o veto de centenas de candidatos nas eleições indicam um elevado nível de abstenção. A expectativa é que possa bater o recorde de 57% das legislativas de 2020.

Dos sete candidatos autorizados pelo regime, três abandonaram a disputa na quarta-feira. O grande favorito é Raisi, de 60 anos, que comanda a Autoridade Judicial. Após três semanas de campanha apática, as autoridades decidiram ampliar o horário de votação até meia-noite (16h30 de Brasília), que pode ser ampliado por mais duas horas, com o objetivo de obter a maior taxa de comparecimento possível.

Os resultados devem ser divulgados no sábado e, caso nenhum candidato obtenha 50% dos votos, o segundo turno será organizado em 25 de junho entre os dois mais votados. Em uma rua de Teerã, uma enfermeira coberta por um xador disse à AFP que votaria em Raisi, "o candidato mais competente" que soube lutar "contra a corrupção". "É importante participar das eleições, cada um com sua opinião pessoal", declarou Mohamad Javad Pourzadeh, pouco antes de receber um SMS que estimula os cidadãos a votar.

"Silêncio"

A campanha foi apática, com poucos cartazes na capital Teerã, mas a maioria mostrando o rosto austero de Raisi com seu habitual turbante negro. Diante dos apelos nas redes sociais por um boicote da votação, Khamenei convocou os compatriotas, na quarta-feira (16), a participarem em grande número na eleição de um "presidente forte".

Uma opinião ouvida com frequência nas ruas é a de que a eleição foi decidida de antemão, além de ter sido organizada para assegurar a vitória de Raisi - algo que as autoridades negam. Os rivais são um deputado relativamente desconhecido, Amirhosein Ghazizadeh-Hachémi; um ex-comandante da Guarda Revolucionária, general Mohsen Rezai, e um tecnocrata, Abdolnaser Hemati, ex-presidente do Banco Central, considerado o único reformista na disputa.

"Eu amo meu país, mas não aceito estes candidatos", declarou à AFP Abolfazi, um ferreiro de 60 anos que defendeu a Revolução Islâmica de 1979, mas que atualmente se declara decepcionado com as opções políticas. "Não temos opção, exceto manter o silêncio e permanecer em casa, com a esperança de que assim a nossa voz seja ouvida", disse o carpinteiro Hosein Ahmadi.

Marcados pelas sanções

O presidente tem prerrogativas limitadas no Irã, onde o poder real está nas mãos do guia supremo, Ali Khamenei. O atual presidente, Hassan Rohani, um moderado que apostou em uma abertura para o Ocidente e em uma ampliação das liberdades individuais, foi reeleito em 2017 no primeiro turno, em uma votação com taxa de comparecimento de 73%.

Nesta sexta-feira, depois de votar, ele admitiu que deseja ver mais pessoas participando. "As eleições são importantes independentemente do que aconteça e, apesar dos problemas, devemos votar", disse Rohani, que não pode disputar o pleito após dois mandatos consecutivos de quatro anos.

As esperanças provocadas por sua eleição viraram uma decepção após o golpe que significou a saída dos Estados Unidos, em 2018, do acordo nuclear assinado três anos antes em Viena.

O retorno das sanções americanas agravou o descontentamento e a rejeição às autoridades no Irã, que viveu duas ondas de protestos (2017-2018 e novembro de 2019), violentamente reprimidas.

Para a oposição no exílio e para as ONGs, Raisi é a encarnação da repressão, e seu nome está associado às execuções de detidos de esquerda em 1988. Ele nega qualquer participação. A prioridade do próximo presidente será a recuperação econômica.

Neste ponto, todos os candidatos concordam com a necessidade da suspensão das sanções americanas impostas sob o governo de Donald Trump, medida que é objeto de negociações na capital austríaca para salvar o acordo de Viena e reintegrar os Estados Unidos. 


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