Itália prepara suas praias para um verão sob a ameaça do vírus

Itália prepara suas praias para um verão sob a ameaça do vírus

Governo vai reabrir a partir de 3 de junho suas fronteiras aos turistas da União Europeia

Por
AFP

Praias italianas se preparam para receber turistas


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A temporada de praia está logo ali e ao longo do litoral da Itália começaram os preparativos para atrair os amantes do sol e suas carteiras, mas protegendo-os do novo coronavírus. "No Vêneto, a região mais turística da Itália, com 18 bilhões de euros em faturamento, dos quais 9 (bilhões) com as praias, falar de praia é questão de vida ou morte para a economia", advertiu esta semana Luca Zaia, presidente desta região do nordeste do país, onde fica Veneza.

O governo, consciente da importância do setor turístico, que representa 13% do PIB, anunciou neste sábado (16) que vai reabrir a partir de 3 de junho suas fronteiras aos turistas da União Europeia e suspenderá o isolamento obrigatório de 14 dias para os visitantes estrangeiros na península. Também elaborou esta semana uma série de normas para evitar o contágio: distância de pelo menos 4,5 metros entre os guarda-sóis, desinfecção de todas as áreas comuns, como duchas e bares, distribuidores de álcool em gel nos locais de passagem, entradas e saídas separadas...

Em Cesenatico (nordeste), cidade natal do ciclista Marco Pantani, os estabelecimentos à beira-mar estão fechados apesar dos dias ensolarados e apenas três dos 310 hotéis estarem abertos. Mas todos se preparam para reabrir o quanto antes.

A cidade de Fellini

"Normalmente, deveria ter aberto no começo de março", explica à AFP Simone Battistoni, cuja família dirigiu Bagno Milano desde 1927. Juntamente com o colega Guido Gargiulo, ex-jogador de futebol de 37 anos que se tornou empresário do setor do turismo, estão testando a instalação de guarda-sóis e espreguiçadeiras respeitando as distâncias de segurança.

"Guido, dá gosto de ver todos esses guarda-sóis!", diz, com sorriso nos lábios, Simone, um homem jovial com camisa e chinelos de grife. Os dois chegam à mesma conclusão: as novas normas os obrigarão a diminuir o número de guarda-sóis em pelo menos 30%, reduzindo assim seus ganhos.

Embora costume empregar 120 pessoas por temporada, este ano contratará apenas 70. Uma decisão dolorosa para Battistoni.

"Esta situação é assustadora", queixa-se Fiorenzo Presepi, dono do hotel La Dolce Vita. "Normalmente, tinha que estar cheio a partir do domingo. A Volta da Itália tinha uma etapa aqui e os alemães tinham reservado há um ano e ficavam ao menos uma semana".

O mesmo acontece em Rimini, imortalizada por Federico Fellini em "Amarcord", onde as persianas do Grande Hotel estão fechadas. As praias estão vazias. Apenas alguns surfistas aproveitam as ondas. "Aqui tudo gira em torno do turismo", resume Marco Vannucci, designer gráfico de 62 anos, de pé ao lado da sua prancha.

A costa adriática e suas dezenas de quilômetros de praias se tornaram destino obrigatório graças a uma eficiente rede de hotéis, restaurantes e estabelecimentos que oferecem aos visitantes fácil acesso a uma ampla gama de atividades.

Nova tecnologia contra o vírus

Em Jesolo, ao leste de Veneza, há dezenas de hotéis alinhados ao longo da praia, no estilo de Miami Beach. Aqui, a aposta é na tecnologia para manter o vírus à distância: guarda-sóis se abrem por controle remoto, sanitários se desinfetam sozinhos após cada uso, acessados com braceletes eletrônicos...

"Nas últimas semanas, trabalhamos em um novo conceito para nossas praias (...) Com precauções especiais com a desinfecção, não só nos banheiros e outras áreas comuns, mas também nos equipamentos da praia", como as espreguiçadeiras, enumera Alessandro Berton, presidente do sindicato Unionmare Veneto, em entrevista com a AFP.

Além disso, "aumentamos e reforçamos nossas ferramentas de reservas online para evitar que as pessoas se aglomerem na entrada dos estabelecimentos", explica o empresário, enquanto fuma um charuto.


Christofer De Zotti, gerente do hotel Mondial, está mergulhado em preparativos, mas preocupado com o futuro da temporada. "O verdadeiro ponto de inflexão será a abertura das fronteiras porque para pessoas como nós, que trabalham 60% com clientes estrangeiros, é importante saber quando poderão passar férias na Itália".