Johnson tenta nova votação de acordo do Brexit

Johnson tenta nova votação de acordo do Brexit

Oposição alega que tratativa fragiliza país ante UE

Agência Brasil

Em caso de nova rejeição, prazo será prorrogado para final de janeiro de 2020

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* Com informações da emissora pública de Portugal

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, pressiona o Parlamento para que debata e vote o acordo para o Brexit nesta segunda-feira. Depois de ser obrigado, por lei, a pedir novo adiamento à União Europeia (UE) no sábado, Boris Johnson quer que a Câmara dos Comuns tome uma decisão final sobre o acordo firmado com Bruxelas.

Apenas a 10 dias para a data de saída do Reino Unido da UE, o processo está novamente suspenso. Sem a ratificação do acordo entre Londres e Bruxelas, o primeiro-ministro solicitou novo adiamento até o final de janeiro de 2020, obrigado pela chamada Lei de Benn.



Johnson vai tentar apelar a uma "votação decisiva" do acordo, enfrentando os parlamentares e o presidente da Câmara dos Comuns. John Bercow pode, no entanto, impedir que a votação ocorra hoje, alegando que o acordo já foi votado no sábado e que iriam discutir o mesmo assunto duas vezes.

O primeiro-ministro quer que os deputados digam "sim" ou "não" claro ao acordo, de forma a evitar que "a carta do Parlamento leve a um atraso". Numa segunda carta à UE, Johnson disse que um novo adiamento seria "corrosivo". "Uma nova extensão prejudicaria os interesses do Reino Unido e dos nossos parceiros da UE, assim como a nossa relação", diz a carta.

O governo britânico garantiu, nesse domingo, que o Reino Unido vai sair da UE em 31 de outubro e, por isso, pretende levar o acordo à votação novamente nesta segunda-feira. "O Parlamento precisa de uma votação decisiva do acordo, ou eles querem impedir e cancelar o Brexit por completo?", questionou Boris no fim de semana.

O "número dois" do governo britânico, Michael Gove, reiterou o compromisso do Executivo e assegurou que o governo mantém a "determinação" de materializar o "Brexit" no calendário estabelecido. "Sabemos que a UE quer que saiamos. Sabemos que temos um acordo que nos permite sair. Vamos sair em 31 de outubro. Temos os meios e a capacidade para fazer isso”, afirmou Gove.

A decisão, no entanto, está nas mãos do presidente da Câmara dos Comuns, que pode permitir ou não a realização de nova votação. John Bercow disse aos deputados que o “objetivo aparente” do pedido de nova votação é "invalidar ou impedir" o efeito da emenda apresentada no sábado, que impede um Brexit sem acordo.

A emenda diz que os deputados devem segurar a aprovação do acordo de Johnson, até que o primeiro-ministro aprove toda a legislação necessária para a implementarção. Isto é, a emenda é uma tentativa de impedir um Brexit sem acordo.

Adiamento

A Câmara dos Comuns não ratificou no último sábado o acordo para o Brexit, estabelecido na semana passada entre o Reino Unido e a União Europeia. E mesmo com a pressão do primeiro-ministro para que se realize uma "votação decisiva" nesta segunda-feira, o processo continua comprometido e pode nem ser permitido haver outra votação tão cedo.

A oposição diz que o acordo que Boris Johnson negociou com a Europa não é bom e que deixará o país vulnerável. O Partido Trabalhista já manifestou a intenção de impedir a nova votação e apresentar emendas para um novo referendo e uma união aduaneira com a UE.

Embora Boris Johnson tenha sido forçado a pedir adiamento, o presidente do Conselho Europeu considerou válido o novo pedido. Os 27 Estados-membros devem analisar e responder ainda esta semana ao pedido do Parlamento britânico.


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