Kyriakos Mitsotakis assume como primeiro-ministro da Grécia
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Kyriakos Mitsotakis assume como primeiro-ministro da Grécia

Novo chefe de governo deve anunciar hoje integrantes do ministério

Por
AFP

Mitsotakis participou de solenidade de posse com juramento sobre Bíblia

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O conservador Kyriakos Mitsotakis assumiu, nesta segunda-feira, o cargo de primeiro-ministro da Grécia com a promessa de reavivar a economia do país mais endividado da União Europeia (UE) depois de uma longa década de crise. Em uma breve cerimônia no palácio do Presidente da República, o herdeiro de uma dinastia política fez o juramento ao cargo após a grande vitória eleitoral no domingo. "O povo grego nos enviou uma mensagem forte para mudar a Grécia", declarou o líder do partido conservador Nova Democracia, de 51 anos. "Agora começa o trabalho difícil, mas estou absolutamente seguro de que estaremos à altura dos acontecimentos", prometeu.

Mitsotakis governará com maioria absoluta, com 158 dos 300 deputados do Parlamento unicameral grego. Sua equipe ministerial será anunciada nas próximas horas e assumirá os postos na terça-feira. O primeiro conselho de ministros acontecerá na quarta-feira.

Os conservadores encerram assim quatro anos e meio de governo do Syriza, o partido de esquerda radical liderado pelo primeiro-ministro Alexis Tsipras, que prometeu permanecer "ativo na oposição", com seus 86 deputados. Tsipras chegou ao poder em 2015 com a esperança de acabar com as políticas de austeridade, impostas ao país pelos sócios europeus e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) como remédio a uma crise da dívida pública que acabou contagiando toda a economia e destruiu 25% do PIB nacional.

Rapidamente, no entanto, Tsipras esbarrou na realidade e, em uma guinada de 180 graus, negociou no verão daquele ano com os credores um novo resgate econômico que resultou em mais sacrifícios: cortes salariais, aumento de impostos, entre outras medidas. Uma mudança que muitos simpatizantes do partido não perdoaram.

Quatro anos depois, Tsipras presume ter retirado o país de um ciclo de resgates (três no total), traduzido em mais de 450 dolorosas reformas em todos os âmbitos do Estado. Porém, a economia da Grécia permanece sob vigilância dos sócios e credores. E os números não são muito promissores: o nível de desemprego continua sendo o maior da Eurozona (19,2% no primeiro trimestre) e a dívida alcança 180% do PIB, mas com uma previsão de cair este ano a 167,8%.

Menos impostos

As marcas da crise econômica permanecem visíveis na deterioração de vários bairros residenciais de Atenas, com uma "fuga" para o exterior de milhares de jovens universitários. Diante da saída em falso da crise, Mitsotakis afirmou na semana passada à AFP que seu maior objetivo é "assegurar a reativação da economia, com um crescimento ambicioso baseado nos investimentos privados, exportações e inovação".

O novo primeiro-ministro também se mostrou otimista quanto à possibilidade de convencimento dos credores europeus da Grécia quanto à conveniência de redução de exigências fiscais. Em troca, o país poderá realizar um "pacote completo de reformas". Como parte da promessa de recuperação, o líder conservador quer aprovar um grande corte de impostos como o IVA, de empresas, imóveis ou de renda.

Retorno de uma dinastia política

Com Mitsotakis, formado na Universidade de Harvard e ex-consultor da McKinsey em Londres, retorna ao poder uma dinastia política de conservadores. Seu pai Constantinos foi primeiro-ministro entre 1990 e 1993, sua irmã Dora Bakoyanni teve diversos cargos ministeriais e foi prefeita de Atenas. Desde o mês passado, o filho de Dora e sobrinho de Kyriakos, Kostas Bakoyannis, é o prefeito da capital grega.

O novo primeiro-ministro foi parabenizado pelo presidente russo Vladimir Putin, que cultivou boas relações com Tsipras e recordou "as tradições seculares de amizade, proximidade cultural e espiritual" entre os dois países. Rússia e Grécia compartilham a religião ortodoxa. Ele também foi felicitado por Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, e pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.