México refuta que asilo a Evo Morales influencie relação com os EUA
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México refuta que asilo a Evo Morales influencie relação com os EUA

Secretário de Relações Exteriores Marcelo Ebrard afirmou que país tem soberania e cumpre Constituição ao realizar medida

Por
Correio do Povo

Ex-presidente boliviano deve desembarcar nesta tarde no México

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O secretário de Relações Exteriores do México, Marcelo Ebrard, afirmou que a concessão de asilo ao ex-presidente da Bolívia Evo Morales não representa uma fratura nas relações com os Estados Unidos. Em entrevista coletiva nesta manhã, ele ressaltou que o relacionamento entre as duas nações passa por um dos melhores momentos dos últimos anos e assegurou que a medida em relação ao ex-líder cocaleiro é baseada no artigo 11 da Constituição. "O objetivo deste artigo é proteger a vida e a integridade daqueles que estão sujeitos à perseguição política, como diz a Constituição, e o México a exerce há décadas. O asilo concedido, de acordo com sua tradição, está ligado à Constituição, é congruente e consistente com a política externa de nosso país", falou.

Ebrard, ao ser questionado sobre o uso de uma aeronave da Força Aérea do México para o transporte explicou que quem concede asilo deve garantir a salvaguarda da vida e da integridade da pessoa protegida, portanto, neste caso, o governo do país usou o avião oficial. Ele informou que esta ação proposta pelo México é um grande exemplo no mundo em questões que garantem democracia, paz e direitos humanos.

Por conta disso, defendeu que a medida irá interferir na aprovação do acordo comercial entre México, Estados Unidos e Canadá  (T-MEC), que tem sido apontado como "NAFTA 2.0". Ele inclui setores de indústria, agronegócios e tecnologia. "Eu não vejo relação entre as duas coisas. São duas esferas da política externa do México. Os Estados Unidos não estabeleceram ou farão um critério com base nisso porque, se fosse esse o caso, não haveria um bom relacionamento ”, afirmou.

“Evo Morales foi eleito por um período até janeiro de 2020, ele é o presidente eleito pelos bolivianos e seu mandato terminou em janeiro de 2020. Não há razão para que Evo Morales se torne uma questão de confronto entre todos os países da região ”, afirmou, sobre os diferentes critérios com os Estados Unidos (EUA).

O secretário lembrou que os EUA sabem que o México tem peso como país e devem respeitar sua soberania. "Isso determina que a relação entre os dois países não se baseia na submissão, mas no respeito, na coexistência de duas ideias diferentes, existem muitos casos, a migração é um, armas é outra. Não espero qualquer reivindicação da decisão que o México tomou sobre esse asilo, ainda não o tivemos e não esperamos”, concluiu.