Medo do coronavírus derruba as principais Bolsas da Europa
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Medo do coronavírus derruba as principais Bolsas da Europa

Itália é o primeiro país do continente a adotar medidas de confinamento em 11 cidades de seu território

Por
AFP e AE

Itália é o primeiro país do continente a adotar medidas de confinamento em 11 cidades de seu território

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O medo e a rápida propagação do coronavírus além da China e suas repercussões macroeconômicas para a já frágil economia mundial derrubaram, nesta segunda-feira, as principais Bolsas europeias, começando pela de Milão, que fechou em queda expressiva de 5,3%. Em Londres, o índice FTSE perdeu 3,34%, enquanto o CAC 40 de Paris recuou 3,94% e a Bolsa de Frankfurt cedeu 4,01%.

Mais cedo, a Organização Mundial de Saúde (OMS) dilvulgou um alerta sobre a possibilidade de uma pandemia por coronavírus, visto que a doença está se espalhando rapidamente pelo mundo. Dois meses depois do surgimento do novo coronavírus no centro da China, cinco países anunciaram os primeiros casos de contaminação: Afeganistão, Bahrein, Kuwait, Iraque e Omã, que decidiu suspender os voos com o Irã. Em todo o planeta o número de mortes se aproxima de 2.700 e o de contágios de 80 mil.

Na Europa, a Itália, com cinco mortos e 219 pessoas infectadas, é o primeiro país do continente a adotar medidas de confinamento em 11 cidades do norte de seu território. Quase 52 mil pessoas estão confinadas em uma zona de isolamento na Lombardia e Veneza. O carnaval de Veneza, que terminaria na terça-feira, foi cancelado no domingo.

 

Projeção indica queda do PIB na Itália

Na Itália, a projeção dos economistas é de que o produto interno bruto (PIB) caia entre 0,5% e 1% este ano, por conta do surto da doença. Cautela. O secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, disse que ainda é cedo para estimar a extensão dos impactos do coronavírus sobre a economia global, mas que a disseminação do vírus é "preocupante". "Baseado em tudo o que vimos, é gerenciável, mas a situação pode mudar. Em três ou quatro semanas, teremos melhores dados", disse, em entrevista à rede CNBC após reunião do G-20 em Riad, na Arábia Saudita. "Não acho que as pessoas deveriam entrar em pânico. Mas, por outro lado, é preocupante."

Para a presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de Cleveland, Loretta Mester, o coronavírus está piorando as perspectivas econômicas de curto prazo para a China, com potenciais consequências no restante do mundo. Segundo ela, o efeito do vírus no país pode ser maior do que o causado pelo Sars (síndrome respiratória aguda grave) em 2003, pois a China hoje é um player mais relevante na economia global e um eventual corte de gastos de consumidores do país ou redução no turismo envolvendo a China podem causar mais prejuízos que há 17 anos. Loretta ressaltou, no entanto, que hoje o gigante asiático tem mais recursos para lidar com o problema e que o governo se adiantou para tomar atitudes no início da epidemia.

Medidas

Ontem, o Banco do Povo da China (PBoC, o banco central chinês) anunciou que vai flexibilizar sua política monetária e injetar liquidez no mercado, numa tentativa de encorajar o crédito e auxiliar a economia do país a se fortalecer, em meio aos impactos do coronavírus. A informação foi dada por Chen Yulu, um dos vice-presidentes do banco, durante coletiva de imprensa de autoridades da área econômica.

O PBoC também estuda reduzir os compulsórios bancários (recursos das instituições financeiras que ficam retidos no banco central) para liberar mais recursos para empréstimos a empresas com dificuldades, disse Chen. O BC chinês considera, ainda, permitir que os três grandes bancos estatais do país criem políticas para auxiliar pequenas manufaturas, exportadoras e criadores de porcos, setores que sofreram mais com os efeitos do coronavírus.