Merkel critica ataques de Trump a congressistas

Merkel critica ataques de Trump a congressistas

Chanceler alemã mantém relações conturbadas com governo norte-americano

AFP

Merkel afirmou se distanciar dos ataques e declarou apoio às congressistas

publicidade

A chanceler alemã, Angela Merkel, declarou nesta sexta-feira que os recentes tuítes do presidente Donald Trump contra mulheres congressistas de origem estrangeira são contra a "grandeza dos Estados Unidos" e manifestou seu apoio incondicional a essas representantes. "Eu me distancio claramente desses ataques e sou favorável a essas mulheres", afirmou Merkel em uma entrevista coletiva.

"A força dos Estados Unidos está no fato de que pessoas de diferentes origens contribuem para a grandeza do país", insistiu a chanceler, que mantém relações difíceis com o presidente Trump. Na segunda-feira, a primeira-ministra britânica, Theresa May, já havia considerado as declarações de Trump sobre as representantes democratas de origem estrangeira "totalmente inaceitáveis".

O ministro britânico do Interior, Sajid Javid, pediu às personalidades públicas que "moderem suas expressões" para não contribuir para incitar as divisões. Javid lembrou que ele mesmo ouviu, quando criança, essas mesmas frases que lhe pediam para "voltar para seu país". Estas reações ecoam após as palavras do presidente americano que disse a esse grupo de congressistas democratas, conhecidas como "O Esquadrão", que "voltem" para seus países de origem.

Na sequência, veio uma onda de críticas a Trump. Em uma intervenção nesta sexta-feira sobre a luta contra o extremismo, Sajid Javid considerou que "o discurso público se endurece e se torna menos construtivo". Também lamentou que, "em todo mundo, o populismo e até o racismo sem pudor tenham levado os extremistas ao poder".

"Venho de uma família de imigrantes. Sei o que é quando dizem pra você que volte para o lugar de onde vem", desabafou. Os pais de Sajid Javid deixaram o Paquistão rumo ao Reino Unido antes de seu nascimento. O ministro, hoje com 49 anos, candidato derrotado à sucessão da premiê Theresa May, cresceu em Bristol, no sudoeste da Inglaterra.

Na origem da polêmica, o presidente americano perguntou no Twitter, em alusão às parlamentares críticas de sua gestão: "Por que não voltam e ajudam a consertar os lugares completamente falidos e tomados de crimes de onde vocês vêm?".

Trump não citou nenhuma congressista, mas sua menção às "representantes democratas progressistas" foi interpretada como uma alusão a Alexandria Ocasio-Cortez, de Nova York; Ilhan Omar, de Minnesota; Rashida Tlaib, de Michigan; e Ayanna Pressley, de Massachusetts.

Destas quatro, três nasceram nos EUA. Na disputa pela reeleição em 2020, o magnata republicano, de 73 anos, dá passos firmes, ainda que arriscados. Alimentando tensões raciais e ideológicas, ele renuncia claramente a adotar um discurso conciliador e se concentra, mais do que nunca, na mobilização do eleitorado branco.


publicidade

Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895