Morales completa 60 anos em meio a clima de tensão na Bolívia

Morales completa 60 anos em meio a clima de tensão na Bolívia

Presidente boliviano celebrou seu aniversário em um quartel militar antinarcóticos em Chapare

AFP

Presidente da Bolívia, Evo Morales, completou 60 anos de idade neste sábado

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O presidente da Bolívia, Evo Morales, completa 60 anos de idade neste sábado, em um contexto de grande tensão social, com milhares de pessoas se manifestando contra a sua reeleição no primeiro turno, para denunciar o que consideram uma fraude. Morales, que foi pastor de lhamas na infância, chegou à Presidência em 2006, apoiado por um poderoso sindicato de produtores de coca, do qual ainda é líder, e alcançou nesta semana um quarto mandato - alvo de uma ampla controvérsia interna e externa e não reconhecido pelo segundo colocado no pleito.

O Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) proclamou Morales ganhador com 47,08%, contra 36,51% para o ex-presidente Carlos Mesa, o suficiente para a sua vitória já no primeiro turno. Mas o TSE tinha anunciado na noite de domingo, após uma contagem preliminar dos votos, uma tendência que antecipava um segundo turno. Após passar 20 horas em silêncio, gerando suspeitas e especulações, o mesmo confirmou a vitória de Morales.

O presidente boliviano celebrou seu aniversário em um quartel militar antinarcóticos em Chapare (centro), seu reduto político, de onde pediu para quem questiona a sua vitória provar a suposta fraude. "Não ocultamos, não mentimos. Só pensam em fraude e não apresentam provas. Tudo é mentira", disse, questionando seus oponentes e a comunidade internacional. "Se houver fraude, no dia seguinte convocaremos o segundo turno".

Pouco depois, Mesa disse à imprensa "rejeitar e não reconhecer a conclusão do cômputo nacional das eleições gerais e as consequências políticas e jurídicas do mesmo, por ser este resultado de fraude e descumprimento da vontade popular"; Além da oposição boliviana, a ONU, a União Europeia, os Estados Unidos e outros países questionaram o resultado. Morales propôs à OEA realizar uma auditoria do processo, e seu titular, Luis Almagro, aceitou.

"Escutamos os posicionamentos das chancelarias da Colômbia, da Argentina, do Brasil e dos EUA. Convido esses e outros países a participar da auditoria que propusemos. Que todas as atas sejam revisadas", tuitou Morales neste sábado.

Protestos nas ruas

Mesa disse que as manifestações que tiveram início na noite das eleições irão se intensificar a partir de segunda-feira. Neste sábado, milhares de pessoas continuavam a se manifestar nas ruas das principais cidades bolivianas com barricadas nos cruzamentos, obstruídos com bandeiras, cordas e automóveis atravessados para impedir o trânsito de veículos e pessoas.

Os protestos em La Paz se localizaram principalmente na zona sul, onde ficam residências de classes média e alta. Na área urbana de Santa Cruz (leste), coração do desenvolvimento boliviano, convertido no centro dos protestos, as pessoas encheram os supermercados neste sábado para se abastecerem, pois o comitê cívico regional anunciou que a greve, iniciada na quarta-feira, irá se estender por tempo indefinido.


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