Novo presidente da Argélia presta juramento, mas país segue alvo de protestos
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Novo presidente da Argélia presta juramento, mas país segue alvo de protestos

Abdelmadjid Tebboune foi eleito em pleito com recorde de abstenções

Por
AFP

Tebboune já liderava governo de transição sob contestação popular

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O novo presidente da Argélia, Abdelmadjid Tebboune, prestou juramento e assumiu o cargo nesta quinta-feira. A posse ocorreu uma semana após sua eleição, que foi alvo de boicote e protestos nas ruas do país.

Tebboune, de 74 anos, foi eleito no primeiro turno das eleições para substituir Abdelaziz Buteflika, de quem foi primeiro-ministro e que se viu forçado a renunciar em abril devido a uma forte contestação popular chamada "Hirak". O novo presidente terá que enfrentar essas manifestações, que exigem o desmantelamento e a profunda renovação da classe política.

Os manifestantes veem em Tebboune uma extensão de Buteflika e não consideram sua escolha legítima. A abstenção nas eleições de 12 de dezembro foi recorde.

"As eleições foram realizadas em um clima calmo e sereno e nos levarão a uma nova Argélia, conforme solicitado pelo povo", disse Abdelkader Bensalah, que liderava o governo de transição até agora.

Vencedor da controversa eleição presidencial de 12 de dezembro, Tebboune assumiu o cargo nesta quinta-feira em uma cerimônia solene em Argel. Com a mão direita sobre o Corão, pronunciou a longa fórmula prevista na Constituição, jurando em particular "respeitar e glorificar a religião islâmica, defender a Constituição, garantir a continuidade do Estado", mas também "agir com o objetivo de consolidar o processo democrático e respeitar a livre escolha do povo".

Antes da cerimônia, o presidente do Conselho Constitucional, Kamel Fenniche, leu a proclamação dos resultados definitivos que consagram a eleição de Tebboune com 58,13% dos votos, diante de um grupo de dignitários, entre eles, o general Ahmed Gaïd Salah, de 79 anos. O chefe do Estado-Maior do Exército é, desde abril, o rosto do alto comando militar, pilar do governo argelino que assumiu abertamente a realidade do poder desde a renúncia de Buteflika.

Na prática, Bensalah, presidente da Câmara Alta, assumiu o cargo de presidente desde a partida de Buteflika. Tebboune é um antigo e fiel defensor de Buteflika, de quem foi ministro por muito tempo.

Mas para o "Hirak", esse oficial de carreira continua sendo um representante puro do "sistema" à frente do país desde sua independência em 1962. Um "sistema" que a rua quer se livrar.

Por seu lado, Tebboune prometeu aos jovens - a espinha dorsal do "Hirak", em um país onde os menores de 30 anos representam mais de 53% da população - um novo governo com "jovens ministros que não excedem os 26 e 27 anos".