Orban reúne direita identitária na Hungria para defender a "família" e a "nação"

Orban reúne direita identitária na Hungria para defender a "família" e a "nação"

Líder da Hungria adotou várias medidas contra a comunidade LGBTQ+ e se diz defensor de uma Europa "cristã"

AFP

Orban reúne direita identitária na Hungria para defender a "família" e a "nação"

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O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, e o ex-vice-presidente americano Mike Pence defenderam nesta quinta-feira (23) a soberania e os "valores da família" no primeiro dia de uma reunião de cúpula demográfica em Budapeste reunindo a direita identitária.

Nesta quinta-feira, os participantes se sucederam na tribuna, de onde fizeram discursos de tom "iliberal". "Para que nossa civilização prospere nossa prioridade deve ser preservar e fortalecer as famílias sobre as quais nossas nações foram construídas", disse Mike Pence, elogiando a política da Hungria de aumentar as taxas de natalidade.

Essa é, segundo ele, a solução para "reverter o declínio demográfico", e não "a abertura de fronteiras".

 "Lobby LGBT" 

Na mesma linha, Orban defendeu um Estado "protetor da família, base da sobrevivência da nação", contra os "ataques da esquerda ocidental".

"Tentam relativizar a noção de família, apoiando-se no lobby LGBTQ+ e de gênero", argumentou, após ser apresentado como "pai de cinco filhos"

Assim, justificou as medidas tomadas contra a comunidade LGBTQ+. Em junho, o Parlamento húngaro adotou várias emendas legislativas para proibir "a promoção e representação da homossexualidade" para menores de 18 anos.

No poder desde 2010, o primeiro-ministro húngaro sempre defendeu uma Europa "cristã" e enfrentou Bruxelas em mais de uma ocasião por questões como migração ou direitos da comunidade LGBTQ+.

A cúpula demográfica bianual de Budapeste existe desde 2015, mas esta edição tem um sabor político particular.

Desde que o presidente dos Estados Unidos Donald Trump e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu - aliados de Orban - deixaram o poder, o presidente húngaro se apresenta como o último recurso contra o pensamento liberal nas democracias ocidentais.

 "Modelo húngaro" 

Junto a ele, no esplêndido edifício Varkert Bazar, às margens do Danúbio, estavam numerosos líderes da região, como o presidente sérvio, Alexander Vuci, ou o primeiro-ministro esloveno, Janez Jansa.

Da França deveriam comparecer a ex-deputada da Frente Nacional (hoje Reagrupamento Nacional) Marion Maréchal e o polêmico Éric Zemmour, que deu a entender que poderia concorrer às eleições presidenciais de 2022.

"Acredito que Viktor Orban entendeu a evolução do mundo e defende a identidade de seu país e, portanto, da Europa", explicou Éric Zemmour, próximo à extrema-direita, ao canal francês CNews.

Nacionalistas e soberanistas ocidentais elogiam o "modelo húngaro" há anos: rejeição do direito de asilo, luta contra as minorias sexuais e de gênero, política de promoção da natalidade, resistência aos "ditames" europeus ...

"Em nome do Estado de direito, eles querem impor uma ordem ideológica. Acho que isso é profundamente antidemocrático", declarou Zemmour.

 Limites 

O líder húngaro desperta paixões até entre parte da direita americana. O apresentador e comentarista da Fox News Tucker Carlson elogiou Orban, a quem conheceu em agosto, e seu país, "seguro, ordeiro e puro", onde "o crime está ausente".

Próximo da direita religiosa americana, o jornalista Rob Dreher também visitou Budapeste este ano, a convite de um think tank conservador. Diante da imprensa húngara, ele se declarou "deslumbrado com a bravura de Viktor Orban e com a maneira como zomba da opinião da Europa Ocidental".

No entanto, a escola húngara teria seus limites, segundo o analista Gabor Gyori, do think tank Policy Solutions. Em primeiro lugar, porque é marginal.

Nesse sentido, o pesquisador destaca que embora a "ala direita" dos conservadores franceses seja parecida com Orban, é porque essa ala "se voltou tanto para a extrema-direita que não encontra mais aliados entre os conservadores na Europa", enquanto "o primeiro-ministro húngaro a recebe de braços abertos".

E, por isso, essa ala fecha os olhos para questões como a "corrupção" ou como o primeiro-ministro húngaro "trata a mídia", acusado de autoritarismo por seus detratores.

 

 

 


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