Países europeus retomam vacinação anticovid com AstraZeneca após parecer favorável

Países europeus retomam vacinação anticovid com AstraZeneca após parecer favorável

França, Alemanha, Espanha, Itália, Portugal, Holanda, Bulgária e Eslovênia voltarão a administrar o imunizante

AFP

EMA estimou que a vacina é "segura e eficaz"

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Pelo menos oito países europeus anunciaram, nesta quinta-feira, a retomada das campanhas de vacinação com o medicamento da AstraZeneca, depois que a agência reguladora do medicamento (EMA) estimou que ela é "segura e eficaz".

França, Alemanha, Espanha, Itália, Portugal, Holanda, Bulgária e Eslovênia anunciaram que vão dar o passo depois de uma semana de polêmica causada por alguns casos de coágulos sanguíneos entre vacinados, o que gerou preocupação em uma população cansada e tensa após um ano de pandemia.

"O comitê chegou a uma conclusão científica clara: é uma vacina segura e eficaz", disse a diretora-executiva da EMA, Emer Cooke, em videoconferência, após uma "análise profunda".

A vacina da AstraZeneca causou confusão logo após ser aprovada, quando países que haviam assinado contratos gigantescos de fornecimento notaram os casos de trombose. Apesar disso, a EMA não descartou "definitivamente" que o medicamento possa estar associado a alguns raros episódios de trombos sanguíneos.

A França anunciou que estava retomando sua campanha e, simultaneamente, ordenou um confinamento parcial de pelo menos quatro semanas para Paris, sua região metropolitana e outras regiões do país.

No total, um terço da população francesa, submetida pela terceira vez ao fechamento de lojas não essenciais, terá uma distância máxima de 10 km de casa para poder caminhar. As escolas permanecerão abertas. "Estamos adotando uma terceira via, uma forma que deve permitir frear sem travar", disse o primeiro-ministro Jean Castex, que será vacinado com AstraZeneca na sexta-feira, para dar o exemplo.

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EMA segue critério da OMS

Quinze países haviam suspendido no início desta semana a administração da vacina por medo de reações como a formação de coágulos.

A EMA, que a aprovou no 29 de janeiro, decidiu seguir os mesmos critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomendou na quarta-feira a continuidade do uso da vacina da AstraZeneca. A agência reguladora do Reino Unido também afirmou que não encontrou nenhuma ligação direta entre as vacinas AstraZeneca/Oxford e Pfizer/BioNTech e a formação de trombos.

No total, foram detectados 469 casos de coágulos sanguíneos entre os 20 milhões de vacinados com a droga na Europa, segundo dados oficiais. Para a EMA, o percentual não incomoda.

"Riscos/benefícios"

A urgência em agir, diante do constante surgimento de novas cepas do coronavírus, é cada vez maior. "O número de pessoas morrendo de Covid-19 na Europa é maior hoje do que na mesma época do ano passado", enfatizou o diretor da OMS para a região da Europa, Hans Kluge.

A pandemia deixou pelo menos 2,68 milhões de mortos em todo o mundo, de acordo com um balanço da AFP nesta quinta-feira.

Na Alemanha, afetada por uma terceira onda, o governo pediu à população que fosse "responsável" e não viajasse para a ilha espanhola de Maiorca, apesar de centenas de voos turísticos. Os líderes regionais alemães também pediram à UE que acelere sua revisão da vacina russa Sputnik V para uso o mais rápido possível.

Na Itália, Bérgamo (norte) sediou uma cerimônia de homenagem aos mais de 103.000 mortos pelo coronavírus com a presença do chefe do governo Mario Draghi, que depositou uma coroa de flores no cemitério e participou da inauguração de um "Bosque da memória" em um parque local.

México receberá vacinas dos EUA

Na América Latina, o México anunciou que receberá lotes de vacinas dos Estados Unidos, mas sem dar detalhes de marcas ou prazos. A Casa Branca confirmou os dados: 2,5 milhões de doses para o México e 1,5 milhão para o Canadá, embora os prazos de entrega ainda não sejam conhecidos.

Enquanto isso, o Brasil continua registrando número assombrosos: 90.303 infecções por coronavírus nas últimas 24 horas e 2.648 mortes. Segundo o Ministério da Saúde, o gigante sul-americano - com 212 milhões de habitantes - acumula 11.693.838 infecções e 284.775 mortes. Os especialistas alertam que o forte recrudescimento da pandemia pode aumentar o número de mortos para 600.000 antes que as vacinas avancem.

O Chile vai impor um novo confinamento estrito do país a partir desta quinta-feira, enquanto as vacinas já chegaram até a base chilena na Antártica, onde cinquenta pessoas receberam a primeira dose.

A ONU previu, por sua vez, que a vacinação entre os refugiados no mundo se estenderá além de 2022, devido à lenta distribuição das doses em alguns países.


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