Paris condecorará capitãs do "Sea Watch" que desafiaram ministro italiano
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Paris condecorará capitãs do "Sea Watch" que desafiaram ministro italiano

Carola Rackete e Pia Klemp receberão a mais alta distinção da cidade por "enfrentar a inércia dos governos europeus" no que diz respeito à migração

Por
Correio do Povo e AFP

Carola está escondida pois recebeu ameaças de morte após ser presa

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Para "reafirmar seu "apoio às mulheres e homens que trabalham diariamente no resgate de migrantes", a cidade de Paris anunciou sexta-feira que irá apresentar sua mais alta distinção, a medalha de Grande Vermeil, para Carola Rackete e Pia Klemp, as duas capitãs alemãs do "Sea Watch". Elas desafiaram as ordens do ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, e desembarcaram à força numa ilha com 41 pessoas resgatadas no oceano. "Associações como a SOS Mediterrâneoe a Sea Watch nos honram e nos obrigam a enfrentar a inércia dos governos europeus", denunciou em comunicado o vice-prefeito, encarregado das relações internacionais, Patrick Klugman.

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"Carola Rackete e Pia Klemp são os emblemas desta luta, transportando valores europeus aos quais a cidade de Paris mais uma vez chama o nosso continente para permanecer fiel", acrescentou. Além disso, a prefeitura fornecerá ajuda emergencial de 100 mil euros à SOS Mediterranean "para uma nova campanha de resgate marítimo para migrantes". "Apesar dos muitos impedimentos legais, a organização decidiu afretar uma nova embarcação com uma nova tripulação e uma unidade de atendimento de emergência", disse Klugman.

Carola foi presa no final de junho por ter aportado em Lampedusa para desembarcar 41 migrantes que estavam no navio há mais de duas semanas, com Matteo Salvini impedindo o desembarque. Acusada de ajuda à imigração ilegal, a jovem foi solta, mas será julgada em 18 de julho perante a corte de Agrigento, na Sicília. Está escondida desde que foi libertada. Pia é a antiga capitã da embarcação, que também salvou muitas vidas no Mediterrâneo, e continua perseguido pelos tribunais italianos. Ela será julgada pelos mesmos motivos da compatriota.

O ministro italiano do Interior reagiou no Facebook escrevendi que "evidentemente a prefeitura de Paris não tem nada melhor para fazer". Já a líder do partido de extrema-direita Fratelli d'Italia, Giorgia Meloni, afirmou que a medida da cidade Luz é "uma provocação inaceitável" e  que acredita que o governo de seu país deve "convocar o embaixador francês para lhe pedir explicações sobre essas ações hostis contra Itália"