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Parlamento egípcio vota nesta terça para manter Sisi no poder

Atual presidente ainda poderá disputar em 2024 um terceiro mandato de seis anos

Por
AFP

Abdel Fatah al Sisi, de 64 anos, é considerado fiador para o Ocidente da estabilidade da luta contra o terrorismo

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O Parlamento do Egito, que respalda amplamente o presidente Abdel Fatah al Sisi, deve votar nesta terça-feira uma reforma da Constituição que permitirá ao governante permanecer no poder até 2030. Várias emendas à Constituição de 2014 foram propostas em fevereiro por um bloco parlamentar que apoia ativamente o presidente. Os textos passaram por mudanças após debates. Entre as mudanças está o novo artigo 140 da Constituição, que permite ampliar o segundo mandato atual de Sisi de quatro para seis anos. Ao invés encerrar o governo em 2022, isto aconteceria em 2024. 

Além disso, o presidente poderia disputar em 2024 um terceiro mandato de seis anos, quando a Constituição de 2014 limitava um chefe de Estado a dois mandatos no máximo. Sisi foi eleito pela primeira vez em 2014, um ano depois de liderar os militares no processo que derrubou, em meio a uma revolta popular, o presidente islamita Mohamed Mursi, de quem era ministro da Defesa. Sua reeleição em 2018 com mais de 97% dos votos aconteceu em um pleito no qual tinha apenas um rival, utilizado para legitimar a votação, e marcado por uma série de detenções de opositores. 

Abdel Fatah al Sisi, 64 anos, fiador para o Ocidente da estabilidade da luta contra o terrorismo, é acusado por ONGs de violar os direitos humanos: as organizações citam casos de tortura, desaparecimentos forçados, recorde de execuções, detenção de opositores e o controle da imprensa. Mas os partidários do presidente no Parlamento afirmam que a revisão constitucional é indispensável para a estabilidade política e econômica do país. "A Constituição de 2014 foi redigida em circunstâncias difíceis, excepcionais", declarou Mohamed Abu Hamed, deputado e ferrenho defensor da reforma. Hamed considera que Sisi "adotou importantes medidas políticas, econômicas e de segurança e deve continuar com as reformas". 

Com menos de 20 deputados, a pequena aliança de oposição, o bloco "25-30", pediu aos egípcios que rejeitem a reforma. Os egípcios devem se pronunciar sobre a reforma em um referendo caso as emendas sejam aprovadas com maioria de dois terços na Câmara, que tem 596 deputados.