Pedido de extradição de Assange volta a ser analisado pela Justiça em Londres

Pedido de extradição de Assange volta a ser analisado pela Justiça em Londres

Apoiadores do fundador do WikiLeaks protestaram do lado de fora do Tribunal Criminal

AFP

Apoiadores do fundador do WikiLeaks protestaram do lado de fora do Tribunal Criminal

publicidade

Após vários meses de interrupção, a Justiça britânica retomou nesta segunda-feira o exame do pedido de extradição do fundador do WikiLeaks Julian Assange, reclamado pelos Estados Unidos pela publicação de centenas de milhares de documentos confidenciais.

O australiano de 49 anos apareceu, barbeado, vestindo um terno escuro e gravata, confirmando sua identidade e data de nascimento e declarando formalmente não consentir com sua extradição. Esta é sua primeira aparição pública desde fevereiro.

Do lado de fora do Tribunal Criminal de Old Bailey, em Londres, dezenas de apoiadores, incluindo a estilista Vivienne Westwood, protestaram antes da retomada das audiências, programadas para durar de três a quatro semanas.

Ergueram cartazes proclamando "aprisionem criminosos de guerra, libertem Julian Assange", enquanto um caminhão com a mensagem "não extraditem Assange" circulava nas proximidades. "O futuro do jornalismo está em jogo", declarou a editora-chefe do WikiLeaks, Kristinn Hrafnsson. O pai de Assange, John Shipton, denunciou "a insistência, a malevolência que constantemente se abate, como as Cataratas do Niágara sobre Julian".

Julian Assange é processado por espionagem pela Justiça americana, por ter disseminado a partir de 2010 mais de 700 mil documentos confidenciais sobre as atividades militares e diplomáticas americanas, especialmente no Iraque e no Afeganistão. Ele pode pegar até 175 anos de prisão.

Os Estados Unidos acusam o fundador do WikiLeaks de colocar em perigo fontes dos serviços americanos. Entre os documentos publicados estava um vídeo mostrando civis mortos por tiros de um helicóptero de combate americano no Iraque em julho de 2007, incluindo dois jornalistas da Reuters.

Os advogados de Assange denunciam um processo "político" baseado em "mentiras". E ressaltaram que o acordo americano-britânico proíbe "expressamente" extradições por "crimes políticos".

Apelação "quase certa"

O fundador do WikiLeaks foi preso em abril de 2019, após sete anos refugiado na embaixada do Equador em Londres, onde se refugiou após violar as condições de sua liberdade sob fiança, temendo ser extraditado para os Estados Unidos.

Cabe aos tribunais britânicos determinar se o pedido americano de extradição atende a um certo número de critérios legais e, em particular, se não é desproporcional ou incompatível com os direitos humanos. No centro do debate está também a questão de saber se Julian Assange realiza atividades jornalísticas, que devem ser protegidas como tal.

Assange está atualmente na prisão se segurança máxima de Belmarsh, onde suas condições de detenção foram denunciadas pelo relator da ONU sobre tortura. Seu advogado, Mark Summers, apontou as dificuldades de comunicação com Assange devido às restrições impostas pela pandemia de coronavírus.

Durante os quatro dias de audiências realizadas em fevereiro, antes de um longo hiato provocado pela pandemia, Assange pareceu confuso, lutando para manter a atenção. Sua extradição equivaleria a uma "pena de morte", disse sua companheira, Stella Moris, ao The Times no sábado.

A mulher de 37 anos teme que Assange acabe com sua vida e que os dois filhos que teve com ele enquanto estava recluso na embaixada do Equador em Londres cresçam sem o pai. Ela entregou uma petição da organização Repórteres Sem Fronteiras contra a extradição em Downing Street nesta segunda-feira, assinada por 80 mil pessoas.

Cerca de quarenta organizações de direitos humanos e liberdade de imprensa pediram sua "libertação imediata". Qualquer que seja a decisão, é "quase certo" que será alvo de apelação pela parte vencida, disse à AFP John Rees, um dos líderes da campanha contra a extradição de Assange.


publicidade

Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895