Pfizer propõe 3ª dose de vacina em meio à propagação mundial da variante Delta

Pfizer propõe 3ª dose de vacina em meio à propagação mundial da variante Delta

Cepa provoca uma aceleração da pandemia de Covid-19

AFP

Organização Mundial da Saúde adverte que o mundo se encontra "em um ponto perigoso"

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A Pfizer e a BioNTech anunciaram, nessa quinta-feira, que buscarão autorização para uma terceira dose de sua vacina contra a Covid-19 para reforçar a eficácia. A decisão ocorre no momento em que a variante Delta causa surtos na África e na Ásia, e aumenta os casos na Europa e nos Estados Unidos.

A variante provoca uma aceleração da pandemia, que já registra mais de 4 milhões de mortos, segundo balanço da AFP com base em dados oficiais. Isso levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a advertir que o mundo se encontra "em um ponto perigoso".

A Pfizer e a BioNTech disseram que uma terceira dose terá um bom desempenho contra a variante Delta e vão solicitar, em breve, sua autorização nos Estados Unidos, na Europa e em outras regiões. Dados de um teste em andamento mostraram que uma nova imunização aumenta os níveis de anticorpos de cinco a dez vezes mais contra a cepa original do coronavírus e a variante Beta, encontrada pela primeira vez na África do Sul, em comparação com as duas primeiras doses. As informações constam no  comunicado de ambos os laboratórios.

As empresas afirmam ainda que a dose de reforço agirá de maneira similar contra a variante Delta, mas que também desenvolverão uma vacina específica contra essa cepa. As autoridades americanas disseram que ainda estão avaliando a necessidade de um reforço.

"Os americanos que foram completamente vacinados não precisam de um reforço neste momento", afirmaram as agências de saúde. "Estamos preparados para doses de reforço desde que a ciência demonstre que são necessárias".

Já a União Europeia disse estar "preparada", caso seja necessário aplicar uma terceira dose da vacina da Pfizer/BioNtech na população do bloco, como propõem os fabricantes, afirmou a comissária europeia da Saúde, Stella Kyriakides, nesta sexta-feira.

"Estamos preparados, caso isso seja necessário, tanto no nível europeu, como em termos de estratégia europeia" de compra comum e de distribuição de vacinas, reforçou a comissária em entrevista coletiva em Madri, ao lado da ministra espanhola da Saúde, Carolina Darias. "Estamos trabalhando nisso de maneira contínua, mas a decisão sobre como vamos avançar dependerá da ciência", esclareceu a comissária Kyriakides.

Estudo 

Apesar da busca da Pfizer e da BionTech pela autorização para uma possível terceira dose para conter os efeitos da variante Delta, um estudo da revista Nature, publicado nessa quinta-feira, indicou que duas doses do imunizante criado pelas empresas ou da AstraZeneca geraram resposta imune contra a nova cepa em 95% dos pacientes vacinados, ainda que ela seja capaz de escapar de alguns anticorpos monoclonais de laboratório. 

Os cientistas franceses responsáveis pela pesquisa, no entanto, indicaram que a cepa é menos inibida por anticorpos presentes em pessoas que já tiveram Covid-19 e não receberam nenhuma injeção ou que receberam apenas uma dose dos imunizantes.

De acordo com o estudo, as vacinas são de três a cinco vezes menos eficientes contra a variante Delta em relação à Alfa, originária do Reino Unido. Isso porque, na visão dos pesquisadores, as mutações presentes na proteína Spike, utilizada pelo vírus para entrar nas células, da variante Delta, "modificam potencialmente a ligação do vírus ao receptor da célula, permitindo que escape parcialmente da resposta do sistema imunológico".

A análise do sangue de pacientes que se recuperaram nos 12 meses anteriores da Covid-19 revelou que precisam de concentrações de anticorpos quatro vezes maiores para neutralizar a variante Delta em comparação com a Alfa. No entanto, quando vacinados, esses indivíduos apresentaram imunidade acima do limiar de neutralização da variante.

Além disso, uma única dose da vacina Pfizer ou da AstraZeneca foi pouco ou não eficaz contra as variantes Beta e Delta. Apenas 10% dos indivíduos que receberam somente uma injeção foram capazes de neutralizar a variante indiana após uma aplicação. 

Os pesquisadores estudaram a reatividade de anticorpos e do soro sanguíneo de 103 pessoas com uma infecção anterior e de 59 indivíduos vacinados com uma ou duas doses. Os anticorpos monoclonais terapêuticos analisados foram o Bamlanivimab, o Etesevimab, o Casirivimab e o Imdevimab; dos quais, apenas o Bamlanivimab "perdeu atividade antiviral".

A variante Delta já é a predominante em países como Índia - onde foi detectada pela primeira vez -, Grã-Bretanha e Portugal. Além disso, conforme o Instituto Pasteur, estima-se que, dentro de algumas semanas ou meses, será a cepa majoritária em toda a Europa.

Boates na França

A incursão da variante Delta faz com que as autoridades de muitos países da União Europeia reconsiderem o levantamento das restrições aplicadas graças ao avanço da vacinação. A França recomendou aos seus cidadãos que não viajem para Portugal e Espanha neste verão boreal (inverno no Brasil), onde a Delta está fazendo disparar as taxas de infecção entre a população jovem não vacinada.

O governo francês, porém, decidiu reabrir suas boates nesta sexta após cerca de 16 meses de fechamento, embora as autoridades tenham alertado que continuarão atentas a um eventual aumento de casos. Embora a reabertura ofereça um alívio para os proprietários, a capacidade será limitada a 75% e será necessário um comprovante de vacinação ou um teste negativo recente. O uso de máscara também será recomendado, mas não obrigatório. "É um alívio poder abrir, mesmo que não seja 100%", disse Martin Munier, gerente da boate Sacré no centro de Paris, à AFP.

Na América Latina e no Caribe, a região do mundo com o maior número de mortes pelo vírus, com quase 1,3 milhão de vítimas fatais, os esforços continuam para acelerar a imunização. De acordo com contagem da AFP, 43 em cada 100 pessoas no mundo receberam pelo menos uma dose anticovid-19, mas há grandes disparidades entre continentes como África (3,84), ou Europa (71).


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