Príncipe William fala de Territórios palestinos como um país

Príncipe William fala de Territórios palestinos como um país

Visita deveria ser apolítica, mas termo destoou de postura diplomática comumente adotada

AFP

Visita deveria ser apolítica, mas termo destoou de postura diplomática comumente adotada

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Sua visita era para ser apolítica, mas o príncipe William pareceu sacudir nesta quarta-feira a usual linguagem diplomática ao chamar os Territórios palestinos de "país", durante seu encontro com o presidente Mahmoud Abbas em Ramallah. Após ter sido recebido pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, no dia anterior em Jerusalém, o duque de Cambridge deu prosseguimento na Cisjordânia, ocupada por Israel, à primeira visita oficial de um membro da família real britânica a Israel e aos Territórios palestinos.

Suas primeiras palavras dirigidas ao presidente palestino destoaram do discurso comumente usado por diplomatas ocidentais diante das complexidades linguísticas do conflito israelense-palestino. "Obrigado por me receberem. Estou muito feliz com a estreita colaboração entre nossos dois países e com os sucessos alcançados nos campos da educação e da ajuda humanitária", disse ele, falando sem consultar anotações. A comunidade internacional geralmente se abstém de se referir aos Territórios Palestinos como um Estado ou um país. A Assembleia Geral das Nações Unidas concedeu em 2012 o status de Estado observador não-membro à Palestina. Os Territórios Palestinos devem, um dia, formar um Estado independente a que os palestinos aspiram. O ministério das Relações Exteriores britânicos nem os serviços do príncipe comentaram tais declarações.

Em 2016, um deputado da direita israelense provocou uma série de protestos ao parecer questionar a existência do povo palestino, porque a letra P não existiria em árabe e que a Palestina seria um nome de empréstimo. Parte da direita é hostil à criação de um Estado palestino, e alguns membros do governo israelense apoiam a anexação de pelo menos parte da Cisjordânia. O horizonte da paz nunca pareceu tão distante e, para o príncipe, o exercício diplomático é delicado.

Sua visita ocorre pouco mais de um mês após a inauguração da embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém, que endossou o reconhecimento do presidente Donald Trump da cidade como a capital de Israel, uma decisão vigorosamente contestada pelos palestinos. Membros da direita israelense criticaram o fato de que parte da visita do príncipe a Jerusalém Oriental e à Cidade Velha na quinta-feira foi apresentada pelos britânicos como ocorrendo nos Territórios Palestinos ocupados. A anexação de Jerusalém Oriental por Israel nunca foi reconhecida pela comunidade internacional, que considera Jerusalém Oriental como território.

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