Processo de impeachment de Trump entra em semana chave no Congresso

Processo de impeachment de Trump entra em semana chave no Congresso

Oposição acusa presidente de abuso de poder, corrupção em caso ucraniano

AFP

Processo pode ser barrado no Senado, onde maioria é republicana

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"Caso sólido" contra um procedimento de destituição "falso". Dois conceitos que mostram que democratas e Donald Trump encontram-se em dois lados sobre a abertura, nesta segunda-feira, em um Congresso profundamente dividido, de uma audiência que pode resultar na acusação formal contra o presidente dos Estados Unidos.

Acusado de abuso de poder, Trump seria condenado "em três minutos" por um júri caso estivesse em um tribunal, disse o presidente do Comitê Judicial da Câmara de Representantes, o democrata Jerry Nadler, encarregado de supervisionar a redação das acusações contra o presidente. "Temos um caso muito sólido", acrescentou Nadler no domingo à CNN.

Os democratas abriram uma investigação no final de setembro contra Trump na Câmara de Representantes, onde têm maioria, depois de saber que havia pedido à Ucrânia que investigasse Joe Biden, bem posicionado para enfrentar o presidente nas eleições de 2020.

Para Nadler, "a acusação no fundo (do caso) é que o presidente colocou seus interesses acima dos do país em várias ocasiões pedido repetidamente a uma potência estrangeira que interferisse em nossas eleições". Isso representa, advertiu, "um perigo real para as eleições presidenciais" de novembro de 2020, em que o magnata republicano busca um segundo mandato.

Redação das acusações

Trump proclama sua inocência e denuncia uma investigação inconstitucional, uma "farsa" democrata montada contra ele, com a qual se nega a cooperar. Depois de dois meses de investigação na Câmara de Representantes e cerca de quinze audiências, a comissão judicial se reúne esta semana para redigir as acusações contra o presidente.

O grupo começará a ouvir representantes de democratas e republicanos na manhã desta segunda-feira. Espera-se que ambos os partidos defendam versões muito diferentes das conclusões que extraídas durante a investigação e os motivos que justificam ou não a destituição. Essa audiência será uma "farsa", disse Trump no domingo.

Os democratas podem acusar o presidente de abuso de poder, corrupção, obstaculizar o trabalho do Congresso e da justiça. Isso aceleraria uma eventual votação do plenário da Câmara de Representantes sobre uma acusação contra Trump, algo que provavelmente sucederá antes do Natal. Entretanto, o Comitê Judicial é que deve aprovar essas acusações, o que acontecerá, quase com toda certeza, nesta semana.

Trump "será absolvido"

Considerada a maioria democrata na Câmara, Trump será o terceiro presidente da história, depois que Andrew Johnson e Bill Clinton, de enfrentar um impeachment no Congresso. Sem o apoio dos próprios republicanos, Richard Nixon renunciou antes da votação no plenário.

Neste caso, Trump provavelmente será absolvido durante o processo no Senado, onde os republicanos são maioria e Trump conta com apoio amplo dos membros de seu partido. Os republicanos acusam os democratas de acelerarem o processo com o único objetivo de destituir Trump para não enfrentá-lo nas eleições presidenciais do ano que vem.

Enquanto isso, o presidente promete se vingar nas urnas. A investigação dos democratas é uma "verdadeira vergonha", denunciou neste domingo o porta-voz da Casa Branca, Stephanie Grisham. "(Os democratas) têm medo das próximas eleições". Embora a Câmara de Representantes o acuse, o presidente terá um "julgamento justo" no Senado, disse na Fox News, reiterando que "não fez nada errado".

Os senadores republicanos querem que vários democratas sejam convocados, incluindo Joe Biden e seu filho Hunter, que entrou para um conselho de um grande grupo de gás ucraniano na época que seu pai era vice-presidente de Barack Obama. Por isso Trump o acusa de corrupção.

O senador republicano Lindsey Graham, um influente aliado do presidente, advertiu o domingo que lhe aconselharia não convocar essas testemunhas para terminar rapidamente um procedimento que "desgarra o país". "Assim que 51 de nós", uma maioria simples do Senado, "dissermos que ouvimos o suficiente, esse julgamento terminará", disse na Fox News. "O presidente será absolvido".


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