Promotores holandeses apresentam pedidos de condenação pela queda do voo MH17 na Ucrânia

Promotores holandeses apresentam pedidos de condenação pela queda do voo MH17 na Ucrânia

Quase 300 pessoas que estavam a bordo do Boeing 777 morreram em 2014

AFP

Avião caiu na Ucrânia em 2014 e deixou 298 mortos

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Promotores holandeses apresentarão nesta semana os pedidos de condenação contra quatro homens julgados à revelia pela queda do voo MH17 da Malaysia Airlines, em 2014, sobre a Ucrânia. Também apresentarão formalmente a acusação durante três dias de audiências, que começam nesta segunda-feira, contra os quatro homens pelo assassinato das 298 pessoas abordo do Boeing 777.

Os suspeitos são os russos Igor Girkin, Serguei Dubinsky e Oleg Pulatov, além do ucraniano Leonid Kharshenko, que se negaram a comparecer ao julgamento na Holanda. O veredito do tribunal de segurança máxima, próximo ao aeroporto Schipol de Amsterdã, de onde decolou o voo com destino a Kuala Lumpur, só deve ser anunciado no fim de 2022. "A pena máxima é prisão perpetua", afirmou à AFP o porta-voz do tribunal.

Investigadores internacionais afirmaram que o avião foi derrubado por um míssil BUK transferido de uma base militar russa para uma região do leste da Ucrânia sob poder dos separatistas pró Moscou, em 17 de julho de 2014. Os corpos das vítimas ficaram espalhados por um campo de girassóis, entre os destroços da aeronave.

Girkin, 49 anos, conhecido pelo pseudônimo "Strelkov", é o suspeito mais famoso, um ex-espião russo que contribuiu para o início da guerra na Ucrânia. Dubinsky, 57, também ligado à inteligência russa, foi chefe do serviço de informações militares dos separatistas. Pulatov, 53, foi soldado das forças especiais russas e subalterno de Dubinsky. Já Kharshenko, 48, supostamente liderou uma unidade separatista no leste da Ucrânia. Pulatov é o único suspeito representado por advogados.

O porta-voz da corte afirmou que os promotores dedicarão a segunda-feira e terça-feira à apresentação das provas, incluindo escutas telefônica e eletrônicas, assim como as circunstâncias sobre o míssil e os acusados. O pedido de condenação deve ser apresentado na quarta-feira com "uma longa justificativa da pena solicitada", segundo o porta-voz.

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Os promotores indicaram no início do julgamento, em março de 2020, que se o tribunal emitisse uma condenação eles fariam o possível para "garantir que fosse cumprida, na Holanda ou em outro lugar".

No julgamento foram ouvidos os depoimentos comoventes de parentes das vítimas, que falaram da perda de filhos, pais e irmãos. Também pediram à "corrupta" Rússia que estabeleça justiça.

Kiev enfrenta uma insurgência pró-Moscou em duas regiões separatistas desde 2014, ano em que o Kremlin anexou a península da Crimeia. Os países ocidentais adotaram sanções contra a Rússia pela derrubada do voo MH17.

Recentemente, a Rússia enviou tropas para a fronteira com a Ucrânia, um dispositivo criticado por países ocidentais, que denunciam supostos planos de invasão e alertam Moscou sobre sanções significativas em caso de ataque.

Moscou negou a versão e o presidente Vladimir Putin se reuniu com o colega americano, Joe Biden, para receber garantias que permitiriam retirar as tropas.



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