Protesto contra alta de combustível deixa um morto no Equador
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Protesto contra alta de combustível deixa um morto no Equador

Balanço dos cinco protestos indicou 14 feridos e cerca de 477 detidos

Por
AFP

Vítima de atropelamento foi atacado por manifestantes e atropelado

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Um homem morreu nesse domingo no Equador ao ser atropelado por um veículo durante o quinto dia de protestos contra o forte aumento nos preços dos combustíveis. O balanço dos protestos inclui ainda 14 feridos e 477 detidos. "Um homem de 35 anos sem sinais vitais foi encontrado, vítima de um atropelamento por um veículo que aparentemente fugiu do local quando foi atacado por pessoas que bloqueavam as vias públicas" na província andina de Azuay, indicou a secretaria de Comunicação da presidência.

Vários manifestantes continuam a bloquear várias estradas no Equador, no quinto dia de protestos contra o fim dos subsídios aos combustíveis, enquanto o governo anunciou a retomada das aulas sob o estado de exceção decretado para restaurar a ordem.

Os protestos ocorrem em uma dúzia de províncias do cordão andino, de Imbabura (Norte e perto da fronteira com a Colômbia) até Loja (Sul e na fronteira com o Peru), de acordo com o Sistema de Segurança Integrado ECU 911. Por sua vez, o ministério da Educação anunciou neste domingo que as aulas em escolas públicas e privadas serão retomadas na segunda-feira, uma vez que o setor dos transportes suspendeu uma greve de dois dias na sexta-feira.

O bloqueio de estradas na parte andina, com a presença de comunidades indígenas e camponesas, foi acentuado neste fim de semana no âmbito dos protestos que começaram na quarta-feira, quando o presidente Lenin Moreno anunciou o fim dos subsídios anuais aos combustíveis de 1,3 bilhão de dólares.

A decisão do governo, baseada em um acordo com o FMI para obter empréstimos de 4,2 bilhões de dólares, deu origem a aumentos de até 123% nos preços dos combustíveis mais usados: o galão de 3,79 litros de diesel passou de US$ 1,03 para 2,30 de dólares e a gasolina comum de US$ 1,85 para 2,40. Moreno, no cargo desde 2017, foi claro em dizer que não hesitará em tomar decisões com o objetivo de "erradicar todas as distorções" na economia.

"Estou decidido a dialogar com vocês irmãos indígenas, com os quais compartilhamos muitas causas. Dialoguemos sobre como usar os recursos para os mais necessitados", declarou Moreno em um discurso transmitido por rádio e televisão. Com o estado de exceção em vigência, a sede da presidência permaneceu isolada no domingo, com a presença de soldados e veículos militares.

O estado de exceção por 60 dias foi ordenado por Moreno na quinta-feira para mobilizar as Forças Armadas para restaurar a ordem. Em um desafio aberto à autoridade, a Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie) também declarou um "estado de exceção em todos os territórios indígenas" em rejeição ao fim dos subsídios e à exploração de minerais e petróleo.

Os protestos no Equador, cuja economia dolarizada enfrenta sérios problemas de falta de liquidez e alto endividamento, deixaram 59 agentes feridos e 379 manifestantes presos, segundo um balanço consolidado de sexta-feira. O Serviço de Gerenciamento de Riscos havia relatado 14 civis feridos. A dívida pública externa do Equador aumentou 47% no atual governo (para 39.491 milhões de dólares, 36,2% do PIB).