Protestos contra o Talibã se espalham e incluem mulheres

Protestos contra o Talibã se espalham e incluem mulheres

Manifestações crescem ao mesmo tempo em que surge o primeiro foco de resistência

AE

Protestos avançam no país

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Manifestantes, incluindo muitas mulheres, saíram ontem às ruas para protestar contra o Talibã pelo segundo dia seguido, desta vez marchando em Cabul, perto do palácio presidencial. Os protestos, segundo informações de diplomatas, crescem ao mesmo tempo em que surge o primeiro foco de resistência, que estaria sendo organizada pelo ex-vice-presidente afegão, Amrullah Saleh.

A manifestação em Cabul, que reuniu cerca de 200 pessoas, foi reprimida violentamente pelo Taleban. Na cidade de Khost, os rebeldes decretaram um toque de recolher após dois dias de distúrbios. Em Asadabad, testemunhas relataram à TV Al-Jazira que duas pessoas foram mortas depois que um combatente do Taleban foi esfaqueado. Segundo a agência Reuters, a confusão começou em mais um protesto envolvendo bandeiras da república afegã.

Pelo menos três pessoas teriam morrido em manifestações semelhantes na quarta-feira. Em vídeo gravado em Jalalabad, é possível ver uma multidão carregando as bandeiras do país e, posteriormente, o som de tiros.

A bandeira afegã - preta, vermelha e verde - se tornou um símbolo de rebeldia, já que os militantes do Taleban têm a sua própria, uma branca, com a inscrição em árabe: "Não há outra divindade além de Alá; Maomé é o seu profeta".

"Saúdem aqueles que carregam a bandeira nacional (preta, vermelha e verde) e representam a dignidade do país", escreveu ontem no Twitter o ex-vice-presidente Saleh, apontado como líder da resistência no Vale do Panshir, uma zona de difícil acesso à sudoeste de Cabul, que nunca ficou sob poder do Taleban e nem dos soviéticos.

Ontem, o chanceler russo, Serguei Lavrov, afirmou que, além de Saleh, a resistência estaria sendo organizada por Ahmad Masud, filho de um conhecido comandante anti-Taleban. "O Taleban não controla todo o Afeganistão. Há informações que chegam de Panshir, onde se concentram as forças da resistência do vice-presidente Saleh e de Ahmad Masud", afirmou Lavrov.

A Rússia tem lidado de forma cautelosa com a volta ao poder do Taleban. Ao mesmo tempo em que o Kremlin enviou sinais conciliadores ao grupo, também deslocou tropas para um exercício militar na fronteira do Tajiquistão. De acordo com Lavrov, Moscou defende um "diálogo nacional que permita a formação de um governo representativo" no Afeganistão.

Diplomatas e analistas temem que o Taleban seja bem-sucedido em refazer seu governo e apagar duas décadas de esforços para expandir os direitos humanos e conquistas das mulheres no Afeganistão.

Promessas

De olho na ajuda internacional, no entanto, os líderes do grupo garantem que a brutalidade que definiu seu governo há duas décadas é coisa do passado, mas as promessas de moderação vêm caindo no vazio à medida que surgem relatos de abusos de seus combatentes nas ruas.

Membros do Taleban estão intensificando a busca por pessoas que eles acreditam ter trabalhado com as forças dos EUA e da Otan, principalmente entre os afegãos que se reúnem nas imediações do aeroporto de Cabul, para tentar escapar. Os combatentes ameaçam matar ou prender seus parentes caso não consigam encontrá-los, de acordo com um documento confidencial divulgado pelas Nações Unidas. 

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