Rússia retira principais conselheiros de defesa da Venezuela, diz jornal
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Rússia retira principais conselheiros de defesa da Venezuela, diz jornal

Empresa Rostec teria deixado algumas dezenas de consultores de um total que chegou a mil

Por
AE

Governo dos EUA avalia que Maduro não tem mais como manter grandes contratos com russos

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A Rússia retirou seus principais conselheiros de defesa da Venezuela, segundo o jornal Wall Street Journal. De acordo com a publicação norte-americana, que menciona como fonte uma pessoa próxima do ministério de Defesa da Rússia, a estatal russa Rostec reduziu seu pessoal na Venezuela para apenas "algumas dezenas de funcionários", de um total de aproximadamente mil no auge da cooperação entre Moscou e Caracas. A empresa atua nos setores de aviação, eletrônicos e armamento, e treinou soldados venezuelanos.

A retirada gradual deve-se à falta de novos contratos e à aceitação de que o regime de Maduro não tem mais dinheiro para continuar pagando por outros serviços da Rostec. Tanto Trump quanto o secretário de Estado, Mike Pompeo, indicaram que a influência russa estava no centro do impasse contínuo entre Maduro e a oposição venezuelana. A Rússia está entre os maiores apoiadores internacionais de Maduro. Nos últimos anos, a Venezuela foi um dos maiores clientes de Moscou na região.

O embaixador da Rússia em Caracas, Vladimir Zaemsky, desmentiu a notícia, porém. A assessoria de imprensa da Rostec afirmou que o jornal exagerou. "Em se tratando de especialistas técnicos, eles visitam periodicamente o país para conserto e manutenção de equipamentos antes fornecidos. Há uns dias, por exemplo, nós finalizamos a manutenção de um lote de caças", afirmou a empresa. Sob o governo do presidente russo, Vladimir Putin, as exportações de defesa de Moscou se tornaram uma ferramenta de política externa. O comércio de armas é supervisionado pelos próprios funcionários da embaixada para ajudar a fortalecer os laços com parceiros políticos.

O último grande contrato que a Rostec cumpriu com a Venezuela foi a construção de um centro de treinamento para operar helicópteros militares, em março. Até 2018, a empresa ainda operava contratos relacionados ao fornecimento de mísseis e sistemas de defesa aérea. Em março, o vice-chefe do Estado-Maior da Rússia, o coronel Vasily Tonkoshkurov, desembarcou na Venezuela a bordo de um jato de passageiros Ilyushin com 99 especialistas militares russos. Eles foram acompanhados por um avião de carga Antonov An-124 que transportava 35 toneladas de equipamento.

A Rostec, dirigida pelo amigo de longa data de Putin, Serguei Chemezov, tem enfrentado seus próprios problemas financeiros desde que os EUA, em 2017, começaram a sancionar países que mantivessem relações com a indústria de armas da Rússia. Desde então, vários países atrasaram suas compras de armas russas. Segundo especialistas, a retirada poderia afetar as negociações entre opositores e o chavismo. Ontem, ministros das Relações Exteriores do Canadá, Chile, Peru, Uruguai e Portugal, membros do Grupo de Lima e da União Europeia se reuniram na ONU em Nova York para discutir a situação na Venezuela.