Sanders e Biden cancelam comícios por coronavírus, algo inédito na campanha dos EUA

Sanders e Biden cancelam comícios por coronavírus, algo inédito na campanha dos EUA

Seis estados do país votam em primárias-chave nesta terça-feira

AFP e Correio do Povo

Comunicado foi dado pelo diretor de comunicação de Sanders e gerente de campanha de Biden

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Os dois principais pré-candidatos democratas à Casa Branca, Bernie Sanders e Joe Biden, cancelaram nesta terça-feira seus respectivos comícios previstos para esta noite em Ohio, em meio a crescentes temores pela propagação do novo coronavírus nos Estados Unidos, algo inédito na campanha eleitoral no país.

"Devido a preocupações de saúde e segurança pública, cancelaremos a reunião desta noite em Cleveland", disse o diretor de comunicações de Sanders, Mike Casca, em um comunicado. "Respeitamos as advertências dos funcionários do estado de Ohio, que expressaram sua preocupação por organizar grandes eventos em espaços fechados durante a epidemia de coronavírus", acrescentou.

"De acordo com a orientação de funcionários públicos e com muita cautela, nosso comício em Cleveland, Ohio, hoje à noite está cancelado", afirmou a gerente de campanha de Biden no twitter, Kate Bedingfield. "Continuaremos a consultar autoridades de saúde pública e orientações sobre saúde pública, e anunciaremos sobre eventos futuros nos próximos dias". 

Eleitores de Michigan e de outros cinco estados americanos votam nesta terça-feira nas primárias democratas, em mais uma etapa na corrida eleitoral para escolher quem enfrentará o presidente Donald Trump nas urnas em novembro, na qual o favorito Joe Biden espera obter uma vantagem decisiva em relação ao seu maior concorrente, Bernie Sanders.

Após o seu espetacular desempenho nas urnas nos últimos dez dias, uma avalanche de apoios de antigos rivais e pesquisas que mostraram resultados altamente favoráveis, Biden, de 77 anos, ex-vice-presidente de Barack Obama, enfrentará o primeiro duelo com o senador de Vermont, de 78 anos. Biden defende uma plataforma tradicional democrata com reformas legislativas de centro, enquanto Sanders, que se define como um "socialista democrata", é defensor de uma "revolução".

Com maior número de delegados e o disputado status de "swing state" (estado pendular, ou independente, aquele sem um perfil eleitoral definido), Michigan é a cereja do bolo nesta terça. É um estado que escolheu Trump nas últimas eleições e onde Sanders venceu Hillary Clinton nas internas democratas daquele ano.

É o grande prêmio da jornada por outorgar o maior número de delegados à convenção nacional democrata que definirá o candidato em julho. Idaho, Mississippi, Missouri, North Dakota e o estado de Washington também votam hoje, com um total de 352 delegados em jogo dos 1.991 necessários para vencer a candidatura.

O incidente envolvendo Biden, muito compartilhado nas redes sociais pelos partidários de Trump, ocorreu enquanto os eleitores compareciam às urnas. Biden estava em uma fábrica da Fiat Chrysler em Michigan, onde foi bem recebido, mas foi confrontado por um dos funcionários.

Ele o acusou de tentar restringir o direito constitucional para o porte de armas de fogo. "É um mentiroso de merda", respondeu o candidato. "Apoio a Segunda Emenda", lhe disse antes de responder, visualmente irritado e com uma voz forte: "Não vou tirar a sua arma". "Deixe-me respirar, homem", finalizou.

Coronavírus e campanha

As primárias democratas nos Estados Unidos estão sendo, como em grande parte do mundo, atingidas pela epidemia do novo coronavírus que já infectou quase 800 pessoas em todo o país e deixou 28 mortos.

O estado de Washington, que sofreu a pior parte dessa crise, realiza as votações somente por correio. Nos demais, os Centros para o Controle e a Prevenção de Doenças assessoraram na limpeza das urnas e com outras medidas de precaução.

Desde o início da epidemia de coronavírus nos Estados Unidos escolas foram fechadas e muitas pessoas estão de quarentena, mas é a primeira vez que a campanha eleitoral é afetada.

No estado de Ohio há três casos do novo coronavírus, segundo as autoridades de saúde locais. Segundo a imprensa local, trata-se de um casal que voltou de um cruzeiro no Nilo e de uma pessoa que assistiu à convenção de lobby pró-israelense AIPAC em Washington e regressou de ônibus a Ohio. Os três têm cerca de 50 anos e vivem nos arredores de Cleveland. O governador de Ohio, Mike DeWine, declarou o estado de emergência na segunda-feira diante da epidemia.


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