Secretário de Trabalho dos EUA renuncia por ligação com empresário acusado de abuso de menores
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Secretário de Trabalho dos EUA renuncia por ligação com empresário acusado de abuso de menores

Quando era promotor, Alexander Acosta negociou acordo com o bilionário Jeffrey Epstein

Por
Correio do Povo e AFP

Acosta ofereceu tratamento favorável ao bilionário Jeffrey Epstein em um caso de abuso infantil quando era procurador, há uma década

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O secretário do Trabalho dos Estados Unidos, Alex Acosta, renunciou ao cargo em meio a um intenso escrutínio público sobre seu envolvimento no caso do empresário acusado de tráfico sexual, Jeffrey Epstein, quando era promotor federal na Flórida. Ele atuou em acordo que resultou em penas brandas para o bilionário e, nesta sexta, disse que estava deixando o o posto para evitar se tornar uma distração e permitir que o governo se concentre na economia. O presidente Donald Trump disse a repórteres na manhã de sexta-feira que Acosta decidiu se afastar e considerou o partidário "um grande secretário do trabalho" e um "tremendo talento".

"Foi escolha dele, não minha”, disse o chefe de Estado sobre a decisão de renúncia, enquanto Acosta estava ao seu lado. "Eu disse para Alex, você não precisa fazer isso." Único hispânico no gabinete, o secretário disse que apresentou sua renúncia para entrar em vigor em uma semana. "Não acho certo e justo que o departamento de trabalho desse governo tenha Epstein como foco, e não a incrível economia que temos hoje. Seria egoísta para mim permanecer no cargo e continuar falando sobre um caso que tem 12 anos". Patrick Pizzella, vice-secretário do trabalho, será interino do departamento.

Jeffrey Epstein, de 66 anos, socializou com os presidentes Trump e Blin Clinton, e foi acusado de atrair garotas adolescentes para sua mansão em Palm Beach por sexo, mas recebeu uma leve punição sob um acordo que Acosta negociou em 2008. Sob esse acordo, Epstein - que de outra forma enfrentava uma sentença potencial de prisão perpétua - declarou-se culpado de duas acusações criminais e foi condenado a 13 meses na prisão do condado. Ainda, recebeu permissão para trabalhar em seu escritório seis dias por semana.

Os promotores não informaram às vítimas sobre o documento. Em fevereiro, um juiz determinou que Acosta violou a lei, não contando sobre o acordo. Epstein, por sua vez, foi acusado novamente na segunda-feira de abuso sexual de dezenas de jovens menores de idade. Desta vez enfrenta até 45 anos de prisão por essas acusações que remontam à mesma época das denúncias anteriores. 

Em uma entrevista coletiva na quarta-feira, Acosta defendeu seu papel como promotor federal na mediação do acordo, mas advogados de supostas vítimas criticaram sua explicação, e os democratas pediram que ele comparecesse em uma audiência do Congresso em duas semanas. No seu pronunciamento à impresa, disse que um advogado do Estado em Palm Beach County estava se preparando para permitir que Epstein pleiteasse uma única acusação desde que não fizesse referência à idade da menor. Esse acordo levava em conta o tempo de prisão e não exigia que o homem se registrasse como agressor sexual. "Queríamos ver Epstein ir para a cadeia. Ele precisava ir para a cadeia", argumentou.