Terceira semana de greves na França sem perspectivas de solução
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Terceira semana de greves na França sem perspectivas de solução

Sindicatos convocaram novas manifestações para janeiro após discussões com o primeiro-ministro serem insatisfatórias

Por
AFP

Esta quinta-feira foi o 15º dia de greve nos transportes

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A mobilização contra a reforma previdenciária na França nesta quinta-feira entrou em sua terceira semana e as negociações entre o governo e os sindicatos continuam estagnadas, distante da perspectiva de uma "trégua" para o Natal. Os sindicatos convocaram uma nova jornada de manifestações para o dia 9 de janeiro, ao final de uma reunião com o primeiro-ministro, Edouard Philippe, que "não apresentou novidades", nas palavras do secretário-geral da CGT, Philippe Martinez. Já o chefe de governo francês preferiu declarar que "as discussões dos últimos dias permitiram avanços concretos" e propôs novas reuniões, no início de janeiro.

Esta quinta-feira foi o 15º dia de greve nos transportes e, embora tenha havido uma ligeira melhora, as paralisações ainda são um desafio para os franceses, especialmente na capital. Duas das oito linhas do metrô parisiense que estavam fechadas até agora funcionavam novamente, mas seis ainda continuam fechadas. Os trens suburbanos circulavam, mas apenas nas horas mais movimentadas. E apenas dois dos cinco trens de alta velocidade, que conectam Paris a grandes cidades como Bordeaux, Marselha ou Lyon, estavam em operação.

Menos de 48 horas após o início das férias escolares de Natal, muitos franceses esperavam para saber se eles terão trens para sair de férias ou passar as férias de Ano Novo em família. A empresa ferroviária nacional SNCF anunciou nesta quinta aos usuários que anulou 59% dos trens programados para 23 e 24 de dezembro.

O gatilho para essa crise social é uma reforma controversa do sistema previdenciário, que planeja mesclar os 42 esquemas de aposentadoria existentes em um único sistema e passar a idade de aposentadoria de 62 a 64 anos em dois anos para receber uma pensão integral. Para o executivo, é uma reforma "necessária" para garantir um equilíbrio financeiro do sistema de pensões, mas os sindicatos muito poderosos da França denunciam uma "regressão social".

Diálogo de surdos

Após uma primeira rodada de negociações entre o governo e os sindicatos na quarta-feira, sem grandes resultados, o primeiro-ministro Edouard Philippe recebeu novamente os sindicalistas, nesta quinta-feira. "Entre Philippe e os sindicatos, o diálogo dos surdos continua", intitulou o jornal Le Figaro. "Entendemos que a determinação dele está intacta, mas a nossa também", disse o secretário-geral da Força de Trabalho, Yves Veyrier, na noite de quarta-feira, depois de deixar a reunião com Philippe. 

"Estamos muito, muito longe de um acordo", disse Laurent Berger, número um do CFDT, que apoia a ideia de um plano de pensão universal, mas se recusa a adiar a idade da aposentadoria para usufruir de uma pensão completa. O presidente Emmanuel Macron, que deixou seu primeiro-ministro encarregado das negociações, disse quarta-feira que ele poderá fazer algumas concessões, mas que não retirará seu texto.