Trump critica presidente francês por mandar "mensagens confusas" ao Irã
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Trump critica presidente francês por mandar "mensagens confusas" ao Irã

Irã repetiu novamente esta semana que não vai negociar com Washington sob pressão das sanções americanas

Por
AFP

Além da França, Japão, Alemanha e Suíça tentam salvar acordo nuclear

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O presidente americano, Donald Trump, acusou seu colega francês, Emmanuel Macron, nesta quinta-feira, de se intrometer na política dos Estados Unidos e de enviar "mensagens confusas" a Teerã.

"O Irã tem graves problemas financeiros. Quer falar desesperadamente com os Estados Unidos, mas recebe mensagens confusas de todos os que pretendem nos representar, incluindo o presidente francês, Macron", tuitou Trump.

"Sei que Emmanuel Macron tem boas intenções, assim como os demais, mas ninguém pode falar pelos Estados Unidos salvo os Estados Unidos", acrescentou o presidente americano.

Enquanto aumenta a pressão diplomática, econômica e militar sobre Teerã, Trump não deixou de chamar os iranianos para o diálogo. Recentemente convidado para se reunir com Trump na Casa Branca, o ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif, disse ter recusado. Segundo ele, as sanções impostas a seu país ainda não demonstram sinal de abertura por parte dos EUA.

Macron continua a defender o acordo nuclear iraniano de 2015, do qual os Estados Unidos se retiraram, e se reúne regularmente com o presidente Hassan Rohani. Não esconde sua esperança de mediar a crise atual. Mas até o momento o Irã repetiu várias vezes que não vai negociar com Washington sob a pressão de sanções.

"É o papel da França fazer tudo o possível para garantir que todas as partes aceitem uma pausa e abram as negociações", manifestou-se a Presidência francesa depois de uma entrevista recente por telefone entre Macron e Rohani no fim de julho.

O Palácio do Eliseu havia informado que do local onde passa férias, o presidente francês permaneceu "em contato" com seus contrapartes dos Estados Unidos e do Irã. Está previsto que Macron seja o anfitrião da cúpula de líderes do G7, inclusive Trump, de 24 a 26 de agosto em Biarritz, na costa atlântica.

Os informes de imprensa dos últimos dias mencionaram um possível convite dos franceses ao iraniano para que assista à cúpula, mas não foi confirmado. "Não acho que seja verdade", disse a porta-voz da diplomacia americana, Morgan Ortagus, nesta quinta-feira.

Reduzir as tensões

Além da França, que quer salvar o acordo que se acredita impedir o Irã de fabricar a bomba atômica, outros países também jogaram a carta da diplomacia com Teerã para reduzir as tensões com Washington.

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, se reuniu com o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, em junho, a quem disse que havia informado "suas opiniões pessoais" sobre o que Trump "tem em mente".

A Alemanha, signatária do acordo de 2015, e a Suíça, que representa os interesses dos Estados Unidos no Irã por falta de relações diplomáticas entre os dois países inimigos, também mexeram em suas peças. Mas isso não teve sucesso até o momento.

O Irã repetiu novamente esta semana que não vai negociar com Washington sob a pressão das sanções americanas, enquanto o governo Trump intensificou sua campanha de "máxima pressão" contra Teerã em nível internacional.