Trump volta ao centro do debate político nos EUA em julgamento histórico no Senado

Trump volta ao centro do debate político nos EUA em julgamento histórico no Senado

Ex-presidente enfrenta segundo processo de impeachment, agora por "incitação à insurreição" no ataque ao Capitólio no início de janeiro

AFP

Agora vivendo na Flórida, Trump não comparecerá ao processo e tem certeza de que será absolvido

publicidade

Menos de três semanas depois de deixar a Casa Branca, Donald Trump volta nesta terça-feira ao centro do debate político norte-americano com o início no Senado de seu histórico julgamento político por "incitação à insurreição" no ataque ao Capitólio. Acusação "absurda" e "grande mentira" versus provas "avassaladoras": os advogados do ex-presidente republicano e os congressistas democratas que lideram a acusação já deixaram claro qual será o tom dos discursos durante o processo, que começará às 13h locais (15h de Brasília), no mesmo plenário que foi invadido por simpatizantes do ex-presidente, em 6 de janeiro.

Em um caso extraordinário, os 100 senadores que atuarão como jurados também foram testemunhas e vítimas do ataque. As fortes imagens daquele dia e o discurso de Trump para os seguidores momentos antes da invasão serão parte central da acusação. Do lado de fora do edifício, as inéditas medidas de segurança recordam a violência e o impacto gerado pelo ataque. O milionário, que agora vive na Flórida, não comparecerá ao processo e tem certeza de que será absolvido.

A Constituição exige maioria de dois terços para um veredicto de culpa. E embora os senadores republicanos tenham criticado o papel do agora ex-presidente no episódio violento, parece pouco provável que 17 deles se unam aos 50 democratas para condenar Trump, que ainda é muito popular entre as bases de seu partido. Mas os dois lados têm algo em comum: todos querem avançar rápido, o que significa que a votação final pode acontecer no início da próxima semana.

Os republicanos porque não desejam se aprofundar em um caso que divide o partido; os democratas porque desejam que as atenções do Senado voltem rapidamente para suas prioridades: a aprovação dos secretários e dos projetos do presidente Joe Biden. Ao se apresentar como um elemento unificador de um país dividido, Biden optou pela distância do processo. O presidente "não passará muito tempo assistindo as audiências", afirmou na segunda-feira a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki.

Segundo julgamento político contra Trump

Um debate jurídico sobre a constitucionalidade do processo acontecerá na abertura do julgamento: cada lado terá duas horas para apresentar seus argumentos e os senadores votarão em seguida para decidir se têm competência para julgar Trump. Este ponto está no centro dos argumentos dos advogados de Trump, David Schoen e Bruce Castor, que consideram "absurdo e inconstitucional iniciar um processo de impeachment contra um cidadão comum".

Um argumento repetido por vários senadores republicanos. "Nas últimas semanas, a direita buscou um refúgio, uma maneira de opor-se à condenação de Donald Trump sem ter que emitir um julgamento sobre seu comportamento, para evitar ficar contra os partidários do presidente, enquanto evita justificar sua conduta evidentemente desprezível, antipatriótica e antidemocrática", afirmou na segunda-feira o líder da maioria democrata no Senado, Chuck Schumer.

Esta é a primeira vez que um ex-presidente americano é objeto de um processo de impeachment. Em 13 de janeiro, o republicano se tornou o primeiro presidente a ser acusado pela segunda vez pela Câmara de Representantes, após um primeiro processo por "abuso de poder" no qual foi acusado de pressionar a Ucrânia para investigar Biden e seu filho e do qual foi absolvido no início de 2020.

Nos argumentos apresentados na segunda-feira, os democratas que lideram a acusação afirmam que existem "provas avassaladoras" da culpa do ex-presidente, que foi responsável, segundo eles, pelo "delito constitucional mais grave que já foi cometido por um presidente americano".

Eles recordam como Trump se negou a reconhecer a derrota para Biden, denunciando - sem qualquer prova - fraudes eleitorais. E também seu longo discurso para milhares de seguidores em 6 de janeiro em Washington, enquanto os congressistas estavam reunidos no Capitólio para certificar formalmente a vitória do democrata.

"Nunca vão recuperar nosso país sendo fracos. Vocês precisam mostrar força", afirmou à multidão reunida diante da Casa Branca, antes de pedir que protestassem no Capitólio para "fazer sua voz ser ouvida de maneira pacífica e patriótica".

Para seus advogados, "Trump não incitou nenhuma pessoa a cometer atos ilegais". E é "simplesmente absurdo" argumentar que o ex-presidente de alguma maneira convocou uma turba para cometer um crime violento, pois eles atacaram o Congresso por conta própria, segundo um documento com seus argumentos apresentado na segunda-feira.

 

publicidade

Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895