Turquia comunica retirada curda do nordeste da Síria

Turquia comunica retirada curda do nordeste da Síria

Veículos militares dos Estados Unidos chegam à base iraquiana

AE e Correio do Povo

Turquia promete retomar ofensiva se desocupação ocorrer até a noite de terça-feira

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* Com informações de agências internacionais

Combatentes curdos estão se retirando do nordeste da Síria, sendo que ao menos 125 veículos transportando militantes já deixaram a região, segundo informaram militares da Turquia nesta segunda-feira. Em comunicado, militares turcos disseram ainda que houve 36 incidentes de violação armada desde que Turquia e Estados Unidos negociaram um cessar-fogo de cinco dias para que guerrilheiros curdos saiam do nordeste sírio.

A Turquia promete retomar sua ofensiva militar se os combatentes não deixarem a região até a noite de amanhã, quando a trégua chegará ao fim. O governo dos EUA negociou o acordo após sofrer pesadas críticas, internas e de fora, de que Washington havia aberto o caminho para a invasão turca ao abruptamente remover a maioria de seus soldados do nordeste da Síria.

O Secretário da Defesa dos EUA, Mark Esper, disse hoje que está discutindo a possibilidade de deixar um pequeno grupo de militares na região síria para garantir a segurança de poços de petróleo e dar continuidade à batalha contra forças do Estado Islâmico. Segundo Esper, a ideia ainda não foi apresentada ao presidente americano, Donald Trump.

Retorno dos EUA

Dezenas de veículos militares americanos com soldados a bordo chegaram nesta segunda-feira a uma base no noroeste do Iraque, depois de terem entrado em território iraquiano procedentes da Síria via Curdistão, constataram jornalistas da AFP no local.

As topas americanas passaram pela ponte do posto de Fishkhabour, nas fronteiras dos territórios iraquiano, sírio e turco, antes de atravessarem a província curda de Dohuk para chegar a uma base americana perto de Mossul (noroeste).

Os Estados Unidos anunciaram em 14 de outubro a retirada de cerca de 1.000 militares destacados no norte e leste da Síria em guerra, seis dias depois do início de uma ofensiva turca nessa região contra a milícia curda das Unidades de Proteção do Povo (YPG), considerada "terrorista" por Ancara.

Antes, em 7 de outubro, o governo Trump havia anunciado a retirada das tropas americanas da fronteira turca, no norte da Síria, abrindo caminho para a ofensiva, suspensa desde a última quinta-feira sob uma frágil trégua negociada por Washington. No domingo, mais de 70 veículos blindados com a bandeira americana, carregados com equipamento militar e escoltados por helicópteros, passaram pela rodovia internacional na altura da cidade de Tal Tamr, constatou um repórter da AFP.

Segundo o Observatório de Direitos Humanos da Síria (OSDH), o comboio retirou-se da base de Sarrin, perto da cidade de Kobane, mais a oeste, e seguiu para a província de Hassake, na fronteira com o Curdistão iraquiano. Nos últimos dias, os americanos deixaram três outras bases, incluindo uma em Manbij e outra também localizada perto de Kobane, perto da fronteira com a Turquia. Atualmente, os Estados Unidos têm 5.200 militares estacionados no Iraque, no âmbito da coalizão internacional antijihadista liderada por Washington. Sua presença em várias bases no país gera polêmica no Iraque e várias forças políticas e armadas xiitas pró-Irã frequentemente exigem sua expulsão.


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